Blog Um Ser Pensante

expondo o que pensa e sente, enquanto vive...

fixo

A teoria da bola na caixa: quem realmente busca a VERDADE?

Sócrates: um ser pensante
Sócrates: um ser pensante

Como distinguir um ignorante, um formador de opinião e um ser pensante

Filosofia, palavra de origem grega que remete ao Amor pelo Conhecimento (philos – aquele que Ama; sophia – Conhecimento). Desde os tempos de Sócrates, um dos primeiros Amantes do Conhecimento, sabe-se que lutar por este ideal de busca pela Verdade exige coragem: é praticamente consenso entre os estudiosos que a história sobre a condenação de Sócrates à morte seja real.

E mesmo que não seja, a História está repleta de pessoas que dedicaram, arriscaram e mesmo perderam suas vidas simplesmente por serem buscadores da verdade — movidos pelo seu intenso Amor ao Conhecimento — e defensores dos seus ideais, advindos dessa busca: o profeta Daniel, Jesus Cristo, o apóstolo Pedro, Galileu Galilei, Joana d’Arc, Rosa Luxemburgo, León Trótsky, Mahatma Gandhi, Salvador Allende, Ernesto “Che” Guevara, Martin Luther King, John F. Kennedy, Nelson Mandela, e até mesmo Dilma Rousseff (se alguém souber de membros do PSDB, DEM ou PP que tenham sido torturados pela ditadura, me avisem que eu coloco aqui também). Aliás, peço desculpas se esqueci mais alguém importante, mas é muita gente. Sugestões são bem-vindas.

Quero deixar claro aqui a importância da origem da palavra “Filosofia” e derivadas. Desde que o mundo acadêmico perdeu seu caráter … e passou a ser um setor hermético e elitista, a palavra “Filósofo” teve seu sentido alterado. Bem, não neste blog: aqui, filósofo é aquele que Ama o Conhecimento, e não quem tem diploma de doutor em Filosofia na USP ou em Harvard.

Ok. Agora reparem que eu usei o termo “lutar” no primeiro parágrafo. Lutar pressupõe um inimigo. Contra o que ou quem lutam os filósofos?

Bem, se filósofo é aquele que Ama o Conhecimento, intrinsecamente, ele luta contra a falta de Amor ao Conhecimento e seus subprodutos: a ignorância e a mentira. Intrinsecamente, simplesmente por Amar o Conhecimento. Seria exagero aqui esmiuçar os termos Verdade e mentira, mas creio ser importante definir o que entendo por ignorância. O primeiro sentido da palavra tem a ver com mero desconhecimento sobre algo. É um estado, um problema que pode ser facilmente resolvido com um pouco de interesse e oportunidades. Dessa forma, não é esse tipo de ignorância que me incomoda. Todos nós somos ignorantes, uns mais, outros menos, neste sentido. Mas a ignorância como atitude é o que preocupa, e é neste sentido que utilizarei a palavra ignorância deste ponto do artigo em diante.

Muitas vezes usamos a palavra ignorante sem saber o real significado dela. Ora, ignorante é tão somente alguém que ignora, que tem a atitude de renunciar à busca por aquele conhecimento que ela não tem. Entre estes ignorantes, ainda existem dois grupos. O primeiro deles, grave mas não o pior, é o das pessoas que se fecham em sua ignorância: após adquirir uma quantidade de conhecimento que ela julga ser suficiente — na melhor das hipóteses –, não se abre a novos pontos de vista. Ignora. Renuncia à busca e repele qualquer tentativa de discussão sobre os assuntos. Ignora.

Mas ainda piores são aqueles que hoje em dia intitulamos como “formadores de opinião”. Esta expressão poderia muito bem não ser depreciativa — e até por isso a coloquei entre aspas –, mas infelizmente, nos dias de hoje, ela tem sido usada para designar pessoas que nada mais são que ignorantes com certa habilidade em retórica. São os sofistas da era da informação, que usam de lógica e argumentação não para descobrir, não para discutir idéias, não para ensinarem e aprenderem, mas tão somente para pregar a sua visão limitada de mundo — em benefício próprio ou de outros mais poderosos –, ignorando todo um universo de idéias e até mesmo fatos. Exemplos? Leia a revista Veja…

Refletindo sobre esses assuntos, me veio em mente uma alegoria que poderia deixar mais clara a minha posição quanto ao ignorante e ao verdadeiro ser pensante:

Imagine um assunto polêmico qualquer. Desses que as pessoas costumam dizer que não se discute: religião, por exemplo. E aí: reencarnações sucessivas, ressurreição ou apenas morte? Como agnóstico, pra mim, não há resposta. Mas tem gente que tem certeza absoluta que tem a resposta certa pra isso. Eu bem que gostaria de ver uma discussão entre Richard Dawkins, Allan Kardec e o apóstolo Paulo sobre o assunto!!

Mas enfim. Uma situação como essa poderia ser representada da seguinte forma:

Foi colocada uma bola dentro de uma caixa preta, de material ultra-resistente, sem nenhum tipo de transparência. Pergunta-se: “qual a cor da bola na caixa?”

A caixa preta da verdade
A caixa preta da verdade: qual a cor da bola?

O ignorante clássico olha a caixa e emite a sua opinião: “é preta”; “não, ela é branca, eu vi quando colocaram lá dentro”; “bah!!! bobagem!!! não tem bola nenhuma aí!!! “. Viram as costas e vão embora.

O ignorante “formador de opinião” até se aproxima da caixa.  No começo até dá uma olhadinha, uma chacoalhada, umas batidinhas… Vê que tem pessoas trabalhando de maneira mais intensa. Conversa um pouco com elas, e nessa conversa acaba encontrando alguma opinião que lhe agrade, e argumentos para ela. Algumas dessas pessoas têm outras opiniões que não lhe agradam, por algum motivo que sabe-se lá qual é. E, como o próprio nome diz, forma a sua opinião, vira as suas costas para a caixa e começa a falar como se tivesse visto o que tinha lá dentro.

E o ser pensante? Ah, esse é o coitado!!! Lá vai ele com marretas, brocas, britadeiras, aparelhos de raio-X e o diabo a quatro. Aquela formiguinha (ou formigueiro, como uma amiga minha disse uma vez :-)) dentro do cérebro o impede de ficar falando coisas sem certeza. Então lá vai ele, se esfolar todo pra tentar abrir uma brecha que seja naquela caixa que parece impenetrável. A sorte é que ele não está sozinho, embora sejam pouquíssimos aqueles que se arriscam a buscar e encarar a Verdade.

Enquanto isso, os ignorantes dos dois tipos ficam olhando aquela trabalheira toda e pensando: “mas que perda de tempo!”. Mas eis que surge uma brechinha! E lá vamos nós, usando lanternas, infra-vermelho, sonares e qualquer outra coisa que nos permita obter informações sobre aquela bola. Até mesmo varetinhas pra colocar lá dentro e ver se podemos ao menos ter a sensação de “tocar” o conteúdo da caixa, mesmo que indiretamente. Algumas informações são coletadas, mas insuficientes para uma conclusão. Há diversidade de opiniões. Mas, ao contrário dos “formadores de opinião”, essas opiniões não são o bastante para os seres pensantes. Em geral, nós pensamos: “poxa, eu não concordo, mas se aquele outro ser pensante tem essa opinião, não deve ser à toa”. E lá vamos nós, dar o sentido verdadeiro à palavra discussão. E continuamos lá, fuçando, conjecturando, discutindo. Mas o mais importante: sempre buscando a verdade oculta dentro da caixa.

Eis a minha definição pessoal do que consiste o Homem enquanto ser pensante.

Ok, caros amigos… acho que é isso por hoje. O texto ficou maior do que imaginei, mas espero que mesmo assim vocês tenham achado interessante.

Um grande abraço, e continuemos a arranhar e abrir caixas pretas por aí.

:-)

Um ser pensante

0 comments