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Dinossauros, consumismo, poetas, cinema, meio ambiente e o futuro da Humanidade

Extinção dos dinossauros: catástrofe?
Extinção dos dinossauros: catástrofe?

Não, eu não fiquei louco — não completamente, pelo menos –, estes assuntos têm correlação, me deixe chegar lá :-)

Bem, eu não sei se estou atualizado quanto a este assunto, mas os cientistas ainda dizem que uma grande catástrofe, talvez a queda de um meteoro na Terra, tenha sido responsável pela extinção dos dinossauros? Imagino que sim. Pois ultimamente algumas observações e um pouco de divagação têm me feito pensar em uma explicação muito mais simples pra esse fato tão misterioso. É óbvio, o que eu vou dizer aqui não tem (quase?) nenhuma sustentação científica, mas vale a título de reflexão.

Tudo começa com a minha aversão por pensamentos e frases feitas como “esqueça o passado, o futuro a Deus pertence, viva o hoje”.

Acorde !!!

Esqueça seus sonhos

Mude seus propósitos

Apenas acorde, e ande.

Viva hoje!

Esqueça o amanhã e o ontem

Apenas ande…e viva

Viva!!! Apenas sobrevivendo…

Sobreviva!! Apenas hoje!

Aminadá

Esquecer? Sobreviver??? — Posso dar minha opinião? RIDÍCULO! Sobreviver é pra quem está morrendo! Tem muito poeta irracional frustrado por não saber administrar a própria vida que adora fazer frases e poemas desse tipo, como se a razão fosse a raiz de todo o mal. Faz besteira a vida inteira e por isso se envergonha do passado. Não faz o mínimo planejamento do futuro, vai empurrando tudo com a barriga, e por isso não quer nem saber o que lhe aguarda. Muito provavelmente viverá e morrerá infeliz.

É claro, nós não podemos mudar o passado, não podemos viajar para o futuro, isso é fato e não é isso que estou discutindo. Também não se pode ficar preso ao passado, ou usar o futuro como fuga para problemas que temos de resolver logo. Também não é isso que eu estou discutindo. O que eu estou querendo deixar claro aqui é que do passado se deve extrair lições, e também não faz mal nenhum dedicar um pouco do seu tempo para relembrar bons momentos, com pessoas amamos, conquistas, conversas, enfim. E essas lições que podemos extrair das experiências do passado nos servem de base para decisões, ações, mudanças de atitude que, aí sim, colocamos em prática no presente a fim de construirmos um futuro cada vez melhor. É bom preocupar-se com o futuro, ao menos um pouco. Afinal, qualquer ser pensante sabe que o hoje tão somente foi o amanhã de ontem (risos). O hoje tem causas no passado e consequências no futuro. Não há como separar.

Também temos o famoso “viver intensamente”. Nesta, aos poetas juntam-se os marketeiros… Apesar de eu e Erich Fromm sermos muito humanistas, acreditarmos que o ser humano é capaz de coisas maravilhosas, ambos concordamos também que o ser humano não está fazendo uso de 1% desse potencial. Por isso, com raras exceções, sair pregando por aí a expressão “viva intensamente”, sem os devidos complementos, hoje é algo muito perigoso. Aposto que 98% das pessoas entre 15 e 50 anos não vão fazer nada de útil seguindo esse lema. Vão encher a cara de álcool (de novo), experimentar uma droga nova (de novo), (tentar) participar de uma orgia ou experimentar uma posição nova com (outr)o(a) amante (de novo), (tentar) roubar um carro luxuoso ou algum outro bem material caro… (de novo?)

Sexo, álcool, drogas, consumismo, status. Viva o hoje, e intensamente! Não se preocupe com o futuro! — pensando assim, não estamos fazendo muito mais do que os dinossauros faziam. Eles não refletiam sobre o passado. Apenas comiam, bebiam (água, claro), se reproduziam e se aproveitavam do seu status na cadeia alimentar. E esse status fez com que eles fossem a espécie dominante na face da Terra por um longo tempo. Assim como nós, hoje.

Tá, e daí? Vou continuar meu raciocínio.

Idiocracia
Idiocracia

2505 — O cinema anda cada vez mais pessimista com relação ao futuro da Humanidade. “Idiocracia”, de 2006, é o primeiro que eu consigo me lembrar. O filme faz uma projeção de como será nosso futuro se as pessoas continuarem valorizando apenas o sexo, o álcool, o consumismo, o entretenimento fútil e o lado inútil da tecnologia — aquele lado que nos poupa do trabalho de usar a mente — em detrimento da Consciência, do Amor, da auto-estima, do Conhecimento., do senso crítico. É óbvio que um filme desses só poderia ser uma comédia :-D

Tendo como pano de fundo os argumentos de que a seleção natural não favorece exatamente os mais inteligentes e sim aqueles que têm mais facilidade em se reproduzir, e que os seres pensantes têm tendência a planejar a família e, consequentemente, ter menos filhos do que os “nem tão pensantes”, esta comédia ácida tem como o personagem central Joe Bowers, que por conta de uma experiência de hibernação para seres humanos, acaba passando de uma pessoa medíocre de 2005 para o ser mais inteligente do planeta Terra responsável por salvar a sociedade de um colapso 500 anos mais tarde. Ou seja, “Idiocracia” prevê a humanidade passando por dificuldades críticas no ano de 2505, causadas simplesmente pela idiotização de toda a espécie.

2174 — Um pouco menos otimista é o filme “Pandorum”, de 2009. O filme faz juz à assustadora frase de chamada:

Não tema o fim do mundo. Tema o que vem depois

Pandorum
Pandorum

Ficção científica, terror e suspense se misturam nesse ótimo filme com o ator Ben Foster. Aqui, os recursos da Terra vão ficando cada vez mais escassos, forçando a Humanidade a buscar um novo planeta com condições de abrigar a vida. A história se passa a bordo da nave espacial Elysium, cuja missão é levar ao recém descoberto planeta Tanis o que restou da vida terrestre, pouco antes de sua extinção numa guerra pelos restos de recursos vitais no ano de 2174.

E quanto mais sérias e mais científicas vão ficando as análises, piores vão se tornando as previsões.

2100

Uma corrida contra o tempo, para salvar nosso futuro, ou para ao menos haver um futuro.

Para mudar o futuro, primeiro temos que imaginá-lo.

Earth 2100
Earth 2100

Como toda tentativa mais audaciosa de teorizar sobre o futuro, “Earth 2100” provavelmente contem falhas, mas não há como negar que a ABC, responsável por este filme-documentário, realizou este trabalho com muito cuidado e dedicação.

“Earth 2100”, programa especial de TV exibido em 2008, conta a história da personagem fictícia Lucy, que sobrevive até o ano de 2100 e torna-se testemunha ocular das análises de cientistas dos mais diversos campos. Aqui, as consequências climáticas, econômicas, políticas e sociais da irresponsabilidade do ser humano para com seu próprio futuro levará ao colapso total da sociedade como a conhecemos por volta de 2080. Percebam bem: o colapso total será por volta de 2080, e não o seu início. Portanto, não veja este número com uma certa sensação de conforto, pois é durante este período de tempo que o declínio ocorrerá. Começando a partir de… dois anos atrás?

Aqui há um ponto chave para consumistas, poetas e o futuro: a grande maioria das pessoas continuará “vivendo o hoje intensamente” até que as grandes catástrofes comecem a acontecer. E aí, finalmente, o mundo vai acordar. Sexo e álcool não será mais remédio quando o oceano invadir as praias, a comida faltar no mercado, a água na torneira secar, doenças assolarem o planeta… e (o que pode ser a previsão mais aterradora para muitos) a Internet deixar de funcionar. Quando as coisas se tornarem visíveis a esse ponto, não haverá mais volta. Os adoradores do hoje irão lamentar. Os seres pensantes também… apenas saberemos que a culpa não foi nossa. Fizemos de tudo para avisar.

Uma vez eu fiz a clássica pergunta para um amigo: “você não se preocupa com o futuro dos seus filhos?”. Recebi como resposta um “meus filhos se viram no futuro”. Uma boa resposta para acabar com uma discussão de idéias e se sentir vencedor. Infelizmente, é no mínimo uma postura cientificamente errônea (pra não falar coisa pior).

Download documentário “Earth 2100” (“Terra 2100”) legendado
formato AVI, 706 MB — áudio em inglês, legendas em português aqui

2055 — O título do filme “Age of Stupid” (“Era da Estupidez”), de 2009, parece até ser uma réplica à resposta acima. E sinceramente eu gostaria que não passasse disso. O sobrevivente em melhores condições pergunta-se, no início do filme:

Nós poderíamos ter nos salvado, mas não salvamos. Incrível! No que estávamos pensando?

A Era da Estupidez
A Era da Estupidez

Pobreza, rivalidades, ganância, caprichos, ignorância e uma ou outra pessoa consciente tentando fazer algo contra toda essa combinação. Mas a estupidez vence mais uma vez, mostrando sua força nos Estados Unidos, na França, na Índia, na Nigéria, no Iraque. De todos os filmes que coloquei aqui, este talvez seja o mais abrangente em termos de visão de mundo: não se concentra nos Estados Unidos.

Até o “EV1” (o carro elétrico que deveria existir já há quase vinte anos) mereceu uma ponta. E mais uma vez, aqui vocês poderão ver o papel do capitalismo, do consumismo e do marketing na construção do nosso futuro que, neste filme, não passará do ano 2055.

Espero que esse artigo ajude a diminuir o número de poesias irresponsáveis circulando pela Internet, seja pela conscientização dos poetas ou dos potenciais leitores. Que frases feitas como “meus filhos se viram com o futuro” sejam usadas cada vez menos.

E que a nossa história não se torne apenas um argumento para sustentar a hipótese de que os dinossauros tenham sido extintos simplesmente pela escassez dos recursos naturais necessários a sua existência. Se nem nós, com todo o Conhecimento e todas as conquistas científicas, formos capazes de evitar o fim da nossa espécie pela nossa própria idiotice, por que dinossauros precisariam de um grande asteróide para se extinguirem?

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