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Introversão, parte II — “A vida de um ser pensante” (e introvertido)

Na primeira parte deste artigo, defini o que é a introversão e a diferenciei da extroversão e da timidez. Contei um pouco sobre minha própria introversão e deixei claro: ser introvertido não é doença.

Nesta segunda parte, falarei mais sobre o jeito introvertido de ser, explicarei nossas atitudes mais incompreendidas e deixarei ainda mais claro que o introvertido, além de normal, pode ser uma pessoa que merece respeito e admiração como qualquer outra.

Mas para isso, as pessoas da nossa família, aqueles que formam os círculos sociais (os locais e ocasiões em que fazemos colegas, amigos e paqueramos) e determinam as características desejáveis para o mercado de trabalho devem deixar de ser preconceituosas, insensíveis e espiritualmente míopes; e desenvolverem a capacidade humana de enxergar além das aparências, dos sorrisinhos, dos tapinhas nas costas e da beleza da cauda do pavão.

link para a primeira parte deste artigo: Introversão, parte I

Quando falo do livro “A Vantagem do Tímido” (“The Introvert Advantage” — acho que os tradutores não leram a parte do livro que explica a diferença entre tímido e introvertido), da psicóloga Marti Olsen Laney, realmente não é à toa. Não pense que é um livrinho de auto-ajuda água com açúcar qualquer. Ao menos pra mim não foi.

Pra quem passou bem uns 10 anos tendo seu modo de ser criticado, desencorajado e julgado negativamente, cada página desse livro era um bálsamo de compreensão, de perdão e incentivo. São tantas as situações descritas que soam tão estranhas às pessoas ao meu redor, mas que para essa terapeuta introvertida não são coisas incompreensíveis e doentias… mas apenas traços de um tipo de personalidade muito mais comum do que eu pensava.

Dificuldades dos introvertidos

— “quando se tratava de um assunto sobre o qual eu tivesse conhecimento, poderia falar por horas a fio. Em outros momentos, eu tinha vontade de dizer alguma coisa mas nada me vinha à mente”

Essa segunda parte… isso é horrível quando acontece com um amigo que você gosta muito… e acontecia com uma frequência perturbadora comigo há uns 10 anos atrás. Tanto os outros como eu começávamos a achar que a amizade “não era mais a mesma”… mas eu sabia que não era bem assim. Agora está explicado… e explicado também o porque de às vezes, dependendo do assunto, eu nem parecer introvertido (já em outras ocasiões, me sentia até uma pessoa vazia, sem conteúdo e sem graça…).

“a sociabilização era sempre uma experiência desconcertante. Eu gostava de estar com as pessoas, e as pessoas pareciam gostar de mim, mas eu tinha pavor de sair. Não conseguia decidir se compareceria ou não a uma festa ou a um evento qualquer”

Pois é, o que pra maioria das pessoas nem chega a ser algo a se decidir, pra mim é uma situação preocupante… são pouquíssimos eventos sociais em que me sinto à vontade, apesar de, como bem frisado pela autora, eu goste de estar com pessoas, e elas parecem gostar de mim. Só sendo introvertido, ou tendo empatia e imaginação, pra entender como a gente se sente.

“outra fonte de sofrimento e frustração era a minha pequena quantidade de energia. Ficava exausta com a maior facilidade. (…) quando ficava cansada, andava devagar, comia devegar e falava devagar. Por outro lado, se estivesse descansada (…) as pessoas deviam se sentir bombardeadas, (…) [achavam que] eu tinha muita energia”.

Uma coisa que nossos colegas extrovertidos não entendem é que o Paraíso deles é o Inferno do introvertido. Muita gente, muito barulho, muita risadagem, muito movimento… isso esgota um introvertido rapidamente. Podemos até fazer essas coisas de vez em quando, mas dizer que são “as coisas boas da vida”? Não, um introvertido nunca irá concordar com isso. E quando vocês, extrovertidos, tentam nos enfiar esse modo de viver goela abaixo, seja por convites insistentes (e por nos julgar como pessoas más quando não aceitamos), seja por não estarmos nos divertindo quando conseguimos nos esforçar pra ir, seja nos cercando por todos os lados com cartazes, propagandas na TV, faixas, vidros de carro pintados e camisetas do tipo “eu vou” e “eu fui”, seja com seus comentários animados TODA bendita segunda-feira sobre como seu final de semana foi o máximo… bem… não nos peça para compartilharmos de todo o seu entusiasmo.

Por exemplo, eu — parte I

Outra diferença básica entre o introvertido e o extrovertido é a forma de demonstrar emoções. O extrovertido é aquela criança que pula, grita, chora; o adolescente que fala, sai, experimenta, agita; o adulto que conversa, gargalha, anima. O introvertido é a criança quieta que observa; o adolescente quieto que observa e reflete; o adulto que observa e reflete antes de falar ou agir.

Me lembro que, quando criança, chamei um amigo para assistir um jogo do Flamengo em casa. A partida esta tensa. Dentro de mim eu torcia, meu amigo se agitava. De repente saiu um gol! Eu sorri! Meu amigo saltou do sofá, começou a pular e gritar: “GOL! GOL! GOL!”… depois voltou para o sofá… mas no dia seguinte, na aula, ele comentou com nossos colegas: “você não torce?”

O introvertido e o mundo

Uma característica marcante do introvertido é pensar antes de falar. Um introvertido daria um péssimo locutor de futebol, especialmente se for de rádio. A tendência do introvertido é falar apenas o necessário. Ele pensa muito antes de falar, pois cada sentença para um introvertido deve ter um objetivo, uma razão de ser. Um raciocínio, uma ideia, uma conclusão, um ponto de vista diferente. Cada palavra dita por um introvertido possui conteúdo. Exemplo: raramente um introvertido vai fazer perguntas cuja resposta é óbvia, como “Oiii, já chegou?” (“não, tô na casa da sua mãe”) ou “Bom dia amor, já acordou?” (“não, tô dormindo ainda, é que eu sou sonâmbulo”). Hahaha!… veja, não estou dizendo que isso é certo ou errado, só explicando… Mais tarde todos aprendemos (aqueles que ainda não sabem) que esse tipo de frase tem por função “manter o diálogo”, só para não ficar aquele vazio incômodo. Mas até aprender isso, a tendência do introvertido é substituir essas palavras por um olhar, um sorriso, ou o que quer que a ocasião peça… pois a pergunta em si, para ele, não faz sentido nenhum.

Sim, até adquirirmos certa habilidade, nós somos péssimos para conversar coisas banais. Veja que não é nem por não gostarmos, embora, é claro, com o tempo vamos também formando nossas preferências. Mas além disso, devido a tudo que expliquei acima, o introvertido vai ficar quieto quando o assunto da turma ou dos colegas de trabalho for o que passou ontem na TV, carros, a balada do fim de semana, como está o tempo, a próxima festa… incluindo o famoso “beber cerveja e falar besteira”. Nós não temos essa habilidade natural de falar sobre coisas superficiais e é terrível para nós a sensação de vazio, de não ter o que dizer quando todo mundo ao nosso redor está rindo e se divertindo como se vivessem só pra isso.

A não ser grupos de estudos, de discussões ou outras situações específicas, é fato que em situações sociais a profundidade da conversa tende ao superficial — basta lembrar que, por mais inteligentes e cultas que sejam as pessoas envolvidas, quanto maior o número de pessoas, menor o número de interesses em comum e a tolerância em se aceitar opiniões diferentes sobre esses assuntos. Aliada a dificuldade com ambientes agitados e cheios de estímulos, como para o introvertido é importante que as palavras tenham conteúdo, fica ainda mais difícil pra ele lidar com essas situações. Se puder escolher, ele sempre vai preferir ficar sozinho, ou com uma ou duas pessoas com quem ele tenha uma ligação mais íntima. Pois é nessas ocasiões que o introvertido se sente a vontade para falar sobre os assuntos que lhe interessam, que fazem a sua conversa fluir naturalmente e lhe proporcionam verdadeiro prazer. Infelizmente para nós, a possibilidade dessas outras pessoas não serem introvertidas é considerável, e elas nem sempre estarão dispostas a trocar um bom bate papo cheio de conteúdo por um “grupo animado”…

O mar de extrovertidos e a coerção social

Frequentemente, essa incompatibilidade acaba criando um abismo de incompreensão e tensão entre introvertidos e extrovertidos. Na escola, na família, no trabalho ou em qualquer outro grupo, os extrovertidos irão ocupar e “comandar” o espaço pela sua habilidade natural, querendo ou não. Como se já não bastasse isso, segundo o livro “A Vantagem do Tímido”, existem três extrovertidos para cada introvertido no mundo. Por isso, geralmente o introvertido é visto como “o diferente”, “o estranho”, enquanto os extrovertidos trataram de construir uma sociedade onde suas qualidades são não só exaltadas, mas vistas como “o padrão de normalidade a ser seguido” em si — consideradas até mesmo “a chave e pré-requisito para o ‘sucesso'”.

Bem, é fato conhecido que o ser humano tende a … “não ser receptivo” ao que é diferente. Com relação ao introvertido, isso se manifesta como “bullying” escolar, dificuldades em ser aceito para um relacionamento amoroso, e a formação de um mercado de trabalho que ignora suas qualidades e superexpõe seus pontos fracos — tanto na seleção quanto no ambiente de trabalho.

E ainda, se um introvertido vai conversar com alguém sobre seus problemas, recebe respostas do tipo “você TEM QUE mudar”, “você não pode ser assim”, “você TEM QUE isso..”, “TEM QUE aquilo”… O introvertido é coagido pela sociedade, forçado a ser o que não é. Torna-se um peixe fora d’água em um mundo que é um mar de extrovertidos.

Questionamentos e descoberta

Com tanta pressão, é natural que, muitas vezes, um introvertido sofra muito… tenha problemas com a auto-estima, passe por crises existenciais etc. Sim, é claro que exista toda aquela conversa de “você tem que ser seguro de si mesmo”, “não importa o que os outros dizem” e tal, mas falar é fácil. Até que uma pessoa se desenvolva e chegue a este nível, o trabalho é árduo; e será ainda mais sem orientação adequada.

Até que o introvertido consiga formar um círculo de amizades que aceite, por exemplo, uma conversa íntima e profunda ao invés de uma balada, podemos ficar completamente confusos:

Por que todo mundo se diverte tanto e se dá tão bem e eu não consigo “me encaixar”? Por que para os outros é tão natural se sentir à vontade em um ambiente cheio de pessoas, agitado e barulhento, e eu tenho de fingir estar me divertindo? Eu sou uma pessoa falsa? Eu não gosto das pessoas? Eu sou uma pessoa assim tão má?

Por que eu não consigo manter uma conversa assim tão animada quanto os outros? Como eles conseguem sempre ter tanto pra falar? Por que eu não me interesso por quase nada do que eles conversam? Olhe aquela moça… como eu gostaria de poder prender a atenção dela daquele jeito, como aquele cara ali faz… mas… eu não consigo! Eu sou uma pessoa assim tão vazia, chata e sem graça?

Eu só encontrei respostas a esses questionamentos já com vinte e tantos anos, lendo livros, fazendo psicoterapia e refletindo muito. Foi assim que descobri que todos os meus problemas vêm da combinação de dois fatores:

  1. Existem pessoas introvertidas e extrovertidas (e, claro, muitas no “meio-termo”), e eu tenho uma personalidade introvertida;
  2. O mundo é feito por extrovertidos e para extrovertidos (ao menos em suas questões cotidianas, como relações sociais), com leis, prêmios e punições feitas por eles, para eles.

Por exemplo, eu — parte II

A resposta para a pergunta do meu amigo então só fui descobrir muitos anos mais tarde. Sim, eu torço. Minhas emoções estão todas ali dentro. Mas a minha forma de extravasar é mais discreta.

Isso não significa, de forma alguma, que um introvertido sinta menos que um extrovertido.  E nem mais. Os sentimentos são independentes da maneira de mostrá-los (quando se compara uma pessoa a outra — quanto a comparar a mesma pessoa em momentos diferentes, a regra não se aplica tão bem).

Outro exemplo: introvertidos são péssima platéia para um show de rock. Uma vez um amigo meu me disse: “você já pensou como seria chato para a banda se todo mundo ficasse assistindo o show sentado?”. Ou uma amiga: “você vai ao show apenas para ouvir? Isso se pode fazer em casa!”

Sim, de certa forma eles tem razão… mas existem exceções. O Pink Floyd por exemplo: seus shows são perfeitos para pessoas introvertidas. Na verdade, eles querem que o publico assista o show, entenda as mensagens, tanto que a temática de “The Wall” surgiu da frustração de Waters em perceber que, quando a banda cresceu e começou a fazer shows maiores, as pessoas começaram a ir apenas porque era um grande evento, e não para realmente participar do diálogo entre banda e público.

Um show do Pink Floyd pode ser um ambiente onde quem se sinta “fora d’água’ é o extrovertido. É claro que existem os momentos agitados, mas não é a tônica do show — exemplo: aqui no Brasil, na turnê “Roger Waters — The Wall”, um dos shows em São Paulo era para “público sentado” –. E o que pode matar um extrovertido de sono, para o introvertido é uma viagem mental orgásmica, que o faz cantar junto, aplaudir, rir, chorar, admirar e até mesmo gritar e pular de emoção ao final de cada música, como vocês podem perceber facilmente nas gravações ao vivo.

Conclusão

Portanto, você caro amigo que tem essas mesmas dificuldades, fique mais tranquilo.

É claro que sim, é legal aprendermos a nos adaptar, e também a compreender os extrovertidos, pois boa parte de suas reações quanto a nós são não por “maldade pura”, mas apenas resultado de incompreensão; assim como nós mesmos, quando ainda não compreendemos o mecanismo introversão-extroversão, podemos ser hostis conosco. A introversão tem suas desvantagens que seria melhor aprender a driblar… mas uma coisa tem de ficar clara: os extrovertidos também as tem. Nós não somos OS errados.

Nunca pense que você precise deixar de ser o que é para ser feliz. Se você prefere livros e filmes a uma balada, foda-se a balada! Se você não quer comparecer a toda e qualquer festa que apareça na sua frente, recuse — com educação, claro — o convite, se for o caso explique um pouco da nossa maneira de ser, chame a pessoa para uma conversa mais íntima. Mas nós não temos que aceitar as imposições da sociedade extrovertida e muito menos nos sentirmos desvalorizados por ela.

Nosso jeito observador e reflexivo tem sim muita utilidade e muito valor, em qualquer área da vida. Se outras pessoas não têm o dom de perceber, isso sim é um grave problema que são elas que tem de corrigir! Não temos que mudar para agradar ninguém.

Somos pessoas fascinantes! Apenas precisamos de ambientes mais adequados ao nosso jeito de ser, coisa que o mundo não nos dá. Bem, azar deles! Mas agora que sabemos de tudo, por que não fazermos um pouco do mundo ao nosso estilo?

Introversão não é doença, assim como extroversão não é a 8a maravilha do mundo.

Respeite os extrovertidos, e orgulhe-se de você!

Abraço

Um ser pensante.

6 comments
GabrielRocha5
GabrielRocha5

Caro amigo. Boa noite.


Me chamo Gabriel, sou do Rio de Janeiro, assim como você torço pro Flamengo (rsrs) e por ser uma questão pela qual também passo, resolvi desenvolver meu Trabalho de Conclusão de Curso voltado para a questão dos introvertidos no mercado de trabalho. Há alguns meses li o livro da Susan Cain (Poder dos Quietos) que me ajudou bastante internamente e me inspirou a falar sobre o tema. No entanto, tanto por ser um trabalho de conclusão de curso quanto por meu desejo de deixá-lo bem embaso, ficaria muito agradecido se pudesse me orientar, tanto com relação a fontes quanto explicações. Meu e-mail é gabriel.lrocha@yahoo.com


Desejo-lhe uma ótima semana.


Até breve.

Ro_maf
Ro_maf

Mas o que fazer quando a introversão impede o introvertido de conhecer novas pessoas, fazer amizades, namorar, etc?

UmSerPensante
UmSerPensante moderator

@GabrielRocha5 haha olá flamenguista, tudo bem? O juizão deu uma mãozinha pra gente ontem, mas juiz que no "curintia" mete a mão tem 100 anos de perdão não é? :D


Caro, pois é, eu por minha vez li o "A Vantagem do Tímido", de Marti Olsen Laney, que imagino ser muito semelhante ao da Susan Cain. Eu tenho em PDF, mas só em inglês, se não for problema pra você, posso enviá-lo.


Eu sou leigo em Psicologia, mas ao menos segundo o livro, o nome mais importante quanto a teoria da in/ex-troversão é o Jung. A Marti sugere o livro "Tipos Psicológicos" dele.


Quanto a explicações.... claro, se eu puder ajudar...
Estou enviando essa resposta para o seu e-mail também.

Um abraço e obrigado pelo interesse e pelo comentário

"um ser pensante"

UmSerPensante
UmSerPensante moderator

@Ro_mafOlha, na minha opinião a introversão pode dificultar um pouco, mas não impede essas coisas. A timidez, a fobia social sim. De qualquer forma, eu acredito que a maturidade, uma reflexão e um estudo sobre técnicas para melhorar nessas questões, ou ainda uma psicoterapia possam ajudar. Por exemplo, ter lido esse livro da Marti Olsen me ajudou muito. O que você acha?

Ro_maf
Ro_maf

@UmSerPensante@Ro_mafPois é, esse livro parece ser interessante mesmo. Sobre as técnicas e a psicoterapia que você citou, não seriam justamente um condicionamento da personalidade para se adequar à sociedade? Se eu aprendesse uma técnica dessas, toda vez que fosse possível ser utilizada, eu não estaria deixando de agir com naturalidade?

UmSerPensante
UmSerPensante moderator

@Ro_maf, não não não não não, de jeito nenhum!!! Psicoterapia NÃO É condicionamento :) Ao menos a minha psicoterapeuta não me condicionou a nada. Muito pelo contrário!!!! A psicoterapia é um encontro com a gente mesmo, ela nos dá forças para aceitarmos em nós aquilo que a sociedade rejeita, e ajuda a nos livrarmos daquilo que não faz parte de nós mas que a sociedade nos fez "engolir". 

Daí sim, depois de tudo ajeitado dentro da gente, aquilo que quisermos a gente aprende a melhorar, ou a usar para lidar com a sociedade,... mas não é um condicionamento ou algo forçado, e sim decisões totalmente conscientes para tornar nossa relação com a sociedade mais satisfatória para ambos. Uma coisa é uma pessoa ser forçada a "mudar", outra é uma pessoa ser ela mesma e aprender a lidar com a sociedade sem se deixar afetar por ela.

Digamos assim, é como um relacionamento, só uma pessoa madura e segura de si pode se sentir confortável em abrir mão de uma coisa ou outra por alguém, em uma ou outra situação, sem se sentir "invadido", e sem que signifique uma "perda de personalidade".

É difícil colocar com palavras, é uma experiência pessoal... sim, tem um pouco da questão da naturalidade no começo, mas sendo uma decisão consciente, se você quiser com o tempo essa "técnica aprendida" vai passar a fazer parte do seu comportamento natural. Por exemplo, (nada a ver com o assunto mas...) hoje pra mim é natural NÃO jogar papel de bala no chão hehehe!

Espero ter ajudado um pouco, abraços :)