Blog Um Ser Pensante

expondo o que pensa e sente, enquanto vive...

fixo
Nem todo mundo pode se orgulhar de ter amigos assim

Riquezas são diferenças — aos meus amigos virtuais

O que faz a vida valer a pena? Se eu morresse hoje, do que me orgulharia?

Me lembrei agora de uma frase de Rocky VI (quando sua licença para voltar a lutar é negada pelo comitê):  “quanto mais envelheço, mais coisas tenho de deixar para trás. Assim é a vida”. Com mais de 30 anos de idade, e conforme a minha vida foi-se revelando, fui tendo que jogar fora minhas maiores pretensões. Eu já sei que não serei um cientista importante, nem um talentoso guitarrista. Provavelmente não farei um doutorado, nem serei um professor universitário. Mesmo meu humilde sonho de uma casinha, um estúdio amador de música nos fundos e uma moça de belo sorriso e pele macia pra admirar enquanto ela dorme de manhã em nossa cama, não vai se realizar. Algumas das coisas que deixei para trás dependem de talentos naturais especiais que, com tristeza, fui descobrindo não possuir. Outras dependem também de sorte, de oportunidade, de muita puxação de saco com aqueles que podem concedê-la (ou têm ao menos alguma influência) ou mesmo de encontrar pessoas com esse poder durante a vida. Outras ainda dependem de dinheiro, numa quantidade que, devido a outras possibilidades que tive de deixar para trás, sei que não irei obter. Então, não resta outra opção a não ser conformar-se com uma existência sem graça.

Claro que, pensando de uma forma menos “dramática”, não posso desconsiderar o que conquistei nessas diferentes caminhadas (acadêmica, profissional, pessoal). E também não posso deixar de me orgulhar desse tesouro que garimpei ao longo de três anos de vida virtual como “um ser pensante”: meus amigos “virtuais”.

Como sempre lhes digo, eu vivo em uma cidade mediana do interior do Brasil, que infelizmente não possui uma diversidade cultural que me satisfaça. As opções de entretenimento (cultural) é boa em número, mas todas muito semelhantes. Assim como as pessoas, que, infelizmente, limitam-se àquela vidinha de estudar, casar, trabalhar, ir à igreja — “modelo” que faz os amigos se afastarem da gente, física e espiritualmente, com o tempo. Enquanto a tecnologia de entretenimento (televisão, internet, vídeo-games etc.) se desenvolvem sem cessar, as pessoas da minha “vida real” se tornam cada vez mais vazias e a vida, cada vez mais previsível e tediosa.

Riquezas são diferenças
(Titãs — Miséria)

Felizmente, se a tecnologia ajuda as pessoas a ficarem cada vez mais fechadas em seus mundos, também abre janelas para os inconformados se comunicarem Brasil (e mundo!) afora. Então, o que me resta é entregar-me ao mundo “virtual”. E, aqui, orgulho-me de ter reunido uma riqueza enorme de pessoas perto de mim. Jovens de 14, 15 anos com uma maturidade e conteúdo incrível, até pessoas com seus 50, 60 anos e uma mente aberta e alegria de espírito de uma criança. Do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte, do interior da Bahia até as grandes capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador. De Minas a Manaus. E até meus amigos estrangeiros, dos três países da América do Norte, até a Letônia e Rússia. Pessoas que conheci desde que eu tinha perfil no Orkut, ou antes disso ainda, até pessoas que vem chegando agora.

E com os mais diferentes posicionamentos quanto aos assuntos que despertam meu interesse. Anarco-capitalistas e Comunistas convictos, esquerdistas petistas e não-petistas, simpatizantes do movimento Zeitgeist ou não; ateus que defendem o aborto, cristãos com posições mais conservadoras, defensores e críticos da liberação da maconha. Pró-Palestina, e outros “não tão pró assim”. Guitarristas, flautistas e violonistas. Admiradores de Freud, Nietzsche (é assim que escreve né?) e até de Erich Fromm. Pessoas que acreditam na teoria da Evolução, outras que acreditam em Adão e Eva, outras ainda que têm se aventurado, como eu, nas teorias vindas de interpretações da mitologia suméria.

Nem todo mundo pode se orgulhar de ter amigos assim
Nem todo mundo pode se orgulhar de ter amigos assim

Claro, não é fácil lidar com essa diversidade toda. Às vezes acontecem desentendimentos, apesar de eu ter evoluído muito nos últimos anos ainda acontece de eu perder a paciência em um debate ou outro. Às vezes meus amigos se estranham entre si por terem posicionamentos muito diferentes sobre o mesmo assunto, e eu acabo perdendo um deles. Ainda assim, lidar com essa diversidade é… divertido :-)

Quando olho para a riqueza que garimpei nesses anos todos, sinto-me imensamente “rico” — espiritualmente falando. Fico muito feliz que tantas pessoas, de tão diferentes lugares, idades, opiniões e culturas tenham permitido que eu compartilhe de seus pensamentos, sentimentos e ideias. Espero um dia que a vida e o “sistema” me dêem oportunidade de encontrar vocês pessoalmente para um sorvete, uma volta no quarteirão e um longo e gostoso papo!

Esse artigo é uma homenagem um tanto estranha e sem jeito, mas de coração, aos meus amigos virtuais.

Grande abraço a cada um de vocês, e obrigado!

“um ser pensante”