Blog Um Ser Pensante

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Senso crítico — série A Vida de Um Ser Pensante

Introdução

Senso crítico… penso se há uma definição formal pra essa palavra. Não me lembro de nenhuma agora. Será que poderia ser definida como uma “atitude”? Atitude em relação ao mundo, às pessoas (incluindo a si mesmo), à vida. Atitude de questionar, de se posicionar, de perguntar “por quê?”, “como?”, “e se?”, “e depois?”

É… talvez o senso crítico seja uma atitude. Por outro lado,… também parece ter algo de “sentimento”. Afinal, “atitude” vem de “ação”, “ação” requer um “motivo”, e que motivos um ser humano teria para realizar qualquer ação, para tomar qualquer atitude, se não fosse um ser emotivo, um ser com sentimentos?

Talvez algumas pessoas achem estranho associar uma “atitude mental” com “ação”, mas vocês devem conhecer a expressão “colocar a mente pra funcionar”. Por que pensar não pode ser considerada uma ação?

Melhem Adas - Geografia
Melhem Adas – Geografia 4 – o livro que despertou meu senso crítico

História e Geopolítica

Revisando meu passado, eu acredito que o despertar do meu senso crítico se deu no que se chamava de 8ª série, no meu tempo. Se eu não estiver muito enganado, é nesta série que se via Geopolítica, em Geografia, e história mundial moderna, em História. Além de estudarmos as ideologias políticas, o período das grandes guerras e a guerra fria em História, o conteúdo de geopolítica é que, por ser melhor dividido geograficamente, coloca melhor as diferenças entre os continentes. E, se me lembro bem, foi a primeira imagem da fome na África no livro didático de Melhem Adas (acho que é esse o autor) que despertou de vez o senso crítico que já ameaçava aflorar.

Quero deixar aqui um agradecimento às minhas professoras Marta, de História, e Marilena, de Geografia, essa última muito famosa entre os alunos por ser exigente, mas excelente :)

A foto daquela criança com desnutrição aguda disparou um monte de perguntas na minha mente. Como é possível? Por que isso acontece? Tem solução? Por que só acontece em certos lugares? E o caminho foi se desenhando: países ricos, países pobres, subdesenvolvimento, capitalismo, comunismo, Estados Unidos, União Soviética, guerra fria, colonialismo, néo-colonialismo, globalização, multinacionais, consumismo etc etc, uma sucessão de ideias, conceitos, nomes e termos que vocês devem conhecer bem.

Senso crítico adolescente

Além disso, outro tipo de dúvida começava a rodear minha mente: por que nem todos pareciam ter o mesmo interesse? De início, não era uma dúvida formulada conscientemente… eu apenas estranhava que, na maioria das vezes em que tentava conversar sobre esses assuntos, o entusiasmo dos outros colegas não era nem de longe o mesmo. Ainda, mesmo aqueles que se interessavam um pouco, já tinham suas respostas prontas para tudo: não havia aquela dúvida, aquela vontade de descobrir, de confirmar se o que pensavam era verdade ou não.

Infelizmente para mim, essa “impressão” perdura até os dias de hoje; mesmo quando fui assistir umas aulas de Economia na faculdade de “bicão”, parecia ser eu o único interessado…

Creio ter sido essa a ponte que levou meu senso crítico da política mundial para o cotidiano. De uma das consequências eu comecei a me “arrepender” nos últimos anos: o senso crítico com relação à própria adolescência.

Não que o comportamento adolescente não mereça análise e crítica… mas eu fui muito radical: o fato de eu achar certas formas de relacionamento ou algumas atitudes como superficiais ou imaturas não deveria ter me impedido de experimentá-las. Meu senso crítico enxergava longe, mas minha maturidade emocional não estava na mesma altura e eu não soube lidar com tudo o que via. Agora já foi… paciência… me resta deixar a dica para os jovens que porventura passarem por este blog: tenha sua opinião, analise criticamente… mas não deixe que sua personalidade forte limite a sua experiência de vida. É claro, você não é obrigado a experimentar de tudo, mas também não precisa se privar de tudo o que não lhe agrada para provar alguma coisa (a alguém ou a si mesmo); permita-se um pouco mais, e aprenda com a vida.

Pra dar um exemplo… talvez algumas garotas quisessem “ficar” comigo na época… mas eu sempre fui terminantemente contra essa coisa de “ficar”. E encarava isso como uma guerra. Hoje não sei se isso foi bom, pois de certa forma eu estava impondo minha opinião a quem estava ao meu redor… de certa forma, estava exigindo que os outros adolescentes tivessem o mesmo senso crítico que eu. Se eu tivesse guardado essa opinião pra mim, talvez as garotas se aproximassem mais e eu poderia ter tido mais experiências. Talvez uma “ficante” pudesse ter se transformado numa namorada séria do jeito que eu desejava… por que não?

Uma formiga incomoda muita mente. Um formigueiro…

Não sei se ficou claro, mas eu uso a expressão “senso crítico” aqui não como aquela coisa “chata” de reclamar de tudo que aparece pela frente, e sim como a atitude de se interessar pelas causas, consequências e possibilidades de tudo que faça parte da vida. No começo era como se houvesse uma “formiguinha” incomodando dentro da minha mente: “mas por quê?”, “como?”, “quem?”. Conforme outras coisas vão fazendo parte da vida da gente (música, religião, faculdade, culturas e lugares diferentes…), as perguntas também se multiplicam.

Uma vez me disseram que eu não tinha uma “formiguinha”, mas um “formigueiro” na cabeça… rsrsrs… Pois é… a formiguinha do começo acabou dando origem a um intenso formigueiro. De letras de música e diálogos de filme às ideologias políticas e teorias da origem da vida, tudo desperta meu interesse. E para mim não basta formar uma opinião. Eu preciso saber se aquilo que gosto e defendo é possível e/ou realmente verdade.

Por outro lado, quando passo da minha mente para o mundo, volto a me sentir apenas como uma pequena formiguinha. Não tão solitária hoje, felizmente, pois desde que comecei este blog tenho conhecido várias outras formiguinhas perdidas por aí.

E por meio deste blog, gostaria muito de encontrar outras formiguinhas, e quem sabe despertar algumas outras mais.

Abraços

Um ser pensante