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10 músicas com 10 minutos (ou mais!) de duração

Mais um artigo no estilo “top 10”: 10 músicas com pelo menos 10 minutos de duração.

Tenho de dizer: foi uma pena ter de tirar da lista músicas como “Hurricane” (Bob Dylan), “Stranged” (Guns n’Roses), “One” (Metallica) e “In the Cage” (Genesis) por menos de 2 minutos. “Faroeste Caboclo”, ao contrário do que muitos possam pensar, também não tem mais de 10 minutos. Então tive de deixá-la de fora, infelizmente.

Mesmo assim, a lista até que ficou bacana. Começarei “de baixo pra cima”, pra dar um climinha de suspense!

Aí vai:

9. Creedence Clearwater Revival – I Heard it Throught the Grapevine

O Creedence não é das bandas que costumam fazer coisas grandiosas, embora seja competentíssima no seu estilo. Porém, como toda banda que se preze, volta e meia se arrisca e ousa ultrapassar suas próprias fronteiras. E um exemplo é “I Heard it Through the Grapevine” (expressão idiomática na linha de “Um Passarinho me Contou”), com seus mais de 11 minutos de um Creedence agressivo como poucas vezes se vê. A introdução com baixo e bateria cria um clima de suspense ritmado… a letra não é grande coisa… mas os solos de guitarra são maravilhosos. Não fica devendo nada para nenhuma banda mais hard de seu tempo. Se você não conhece essa música, vale a pena conferir :-)

8. YesHeart of the Sunrise

Fazer músicas com mais de 10 minutos é romper com padrões. E romper com padrões é algo que as bandas de rock progressivo fazem constantemente. Assim, o Yes é a primeira dessas bandas a figurar neste top 10, com “Heart of the Sunrise”. Existem outras músicas do Yes com mais de 10 minutos, mas dentre elas, acho que “Heart of the Sunrise” é a que reúne mais qualidades: uma bela letra (já começando pelo título),  uma composição musical muito interessante, variando entre riffs hards e técnicos e momentos belos com teclados e dedilhados, pitadas de psicodelismo, passagens instrumentais e vocais melodiosos.

"V" - O 5º álbum da Legião Urbana inclui sua mais audaciosa obra
“V” – O 5º álbum da Legião Urbana inclui sua mais audaciosa obra

7. Legião UrbanaMetal Contra as Nuvens

Legião Urbana é muito mais do que “Ainda É Cedo”, “Pais e Filhos” e “Será” (sem desmerecer as músicas, mas cito-as porque são as que os críticos da Legião mais reclamam). Ouça “Metal Contra as Nuvens” com um pouquinho de boa atenção e surpreenda-se com o instrumental digno de qualquer banda de rock progressivo estrangeira: uma letra que varia entre o blásfemo (“A própria fé é o que destrói”, “vou guardar o meu tesouro caso você esteja mentindo”), o rebelde (“Não sou escravo de ninguém”, “Quase acreditei na sua promessa mas o que vejo é fome e destruição”) e o otimista (“Vamos viver, temos muito ainda por fazer, (…) apenas começamos”), belas e longas passagens, a divisão em 4* partes, e até mesmo um trecho bem heavy-metal. Bem, quem conhece sabe: “Metal Contra as Nuvens” merece estar aqui!

* são 4 mesmo? Agora não lembro, e não gosto de ficar olhando tudo no Google…

6. Pink FloydShine On You Crazy Diamond

“Shine On You Crazy Diamond”, de 1975, é obrigatória em qualquer show do Floyd e por isso tem diversas versões ao vivo posteriores. Trata-se de uma homenagem do Pink Floyd ao seu primeiro líder, Syd Barrett (o “Diamante Louco”), que só gravou o primeiro disco com a banda. E que homenagem: uma obra de 23 minutos, com 9 partes distintas reunidas em dois blocos. Ela é praticamente toda instrumental, com o teclado de Rick Wright fazendo o clima espacial, a guitarra de David Gilmour solando ao seu estilo melodioso de sempre, e o sax do músico Dick Parry, compõem os fatores que fazem de “Shine On…” um clássico do rock.

5. Iron MaidenRime of the Ancient Mariner

Iron Maiden - Rime of the Ancient Mariner (show em Curitiba)
“Ancient Mariner”: eu vi isso!!!

Esta é uma das músicas mais queridas pelos fãs do Iron Maiden e por todos aqueles que conhecem a banda e o heavy-metal clássico mais a fundo. “O conto do velho marinheiro” é um poema inglês muito antigo no qual Steve Harris & cia se inspiraram para fazer esta música de mais de 13 minutos onde a banda se supera: todos os músicos deram o máximo de si para que Rime of the Ancient Mariner não fosse apenas um heavy-metal comprido, mas sim uma obra-prima cuja audição é viciante! Destaque para a intensa variação de riffs, a sombria passagem pinkfloydiana mais ou menos na metade da música (a gente tem mesmo a sensação de estar em um navio, perdido e confuso em alto-mar) e o super-solo de guitarra quando “down in falls… comes the raaaaaiinnnnn!!!!!” – Eu vi isso em Curitiba! Pedreira Paulo Leminsky, 2008: “Essa música é sobre o que vocês não devem fazer quando um pássaro cag** em você.”

“Scream for me Curitibaaaaa!!!”

 

4. Deep PurpleChild in Time


Child in time: ao vivo com tradução

Um clássico de uma banda clássica do rock, “Child in Time” mistura a beleza de uma composição com o tom hard do Deep Purple dos anos 70. A música começa com um clima triste e sombrio, os teclados de Jon Lord dando o tom. Tão triste quanto a temática da letra, Ian Gillan começa a cantar…

Doce criança no tempo,
além da fronteira (…)
você verá um homem cego
atirando sobre o mundo

… e mais ainda, a comovente assinatura de um “refrão” sem igual. Refrão este que, além de mostrar do que o vocalista do Deep Purple é capaz, serve de transição para a parte mais acelerada da música, onde poderemos apreciar Ritchie Blackmore e mais um de seus solos.

Reza a lenda que “Child in Time” foi hino de resistência nos tempos mais difíceis do povo romeno (imagino que contra a ditadura pseudo-comunista de Nicolae Ceaucescu).

3. Jethro TullThick as a Brick

Quanto mais subimos no top 10, mais loucas as coisas vão ficando! E Ian Anderson, compositor, vocalista, violonista e flautista (é isso mesmo! Flauta!) do Jethro Tull é forte nesse quesito: “Thick as a Brick” é o nome do álbum do início dos anos 70 que contém a faixa-título… e mais nada!!! Pois é! Mais de QUARENTA minutos de viagem alucinante! A música já começa com uma introdução dedilhada no violão belíssima, e tanto música quanto letra seguem preenchendo o ambiente com um clima medieval. Por falar na letra, ela começa a ficar pesada bem antes da melodia: “seu esperma na sarjeta, seu amor numa pia.”

Jethro Tull - Thick as a Brick (foto do vinil)
“Thick as a Brick” – a capa/jornal do LP (vinil)

Se estou bem lembrado, Ian Anderson criou um “contexto” para “justificar” uma letra tão crítica: a capa do álbum é a primeira página de um jornal fictício onde a manchete (“Thick as a Brick”, claro) chama a atenção para um poema escrito por um menino de 8 anos, “Little Milton”, para um concurso de sua escola. O problema é que esse poema, apesar de ser disparadamente o melhor do concurso, era “bom demais” para a idade do autor: as críticas ali contidas eram tão pesadas que a Igreja Católica teria decretado-lhe a sentença de excomunhão.

Para quem gosta de músicas bem elaboradas, que expandem o significado da palavra “Rock”, eu lhes garanto que “Thick as a Brick” não irá desapontar. E para quem gosta de interpretar letras, muito menos: a começar pelo título (só agora soube que “duro como um tijolo” é uma expressão idiomática, similar a “cabeça dura”), não deve ser fácil decifrar o conteúdo de forma consistente.

Fica o desafio aos meus colegas seres pensantes :-)

2. The DoorsThe End

Falando em loucura, eis que surge o poeta louco Jim Morrison na conversa. “The End” começa com um clima psicodélico e andamento lento, mas sugerindo movimento, e antes que você perceba, estará ouvindo a voz grave de Morrison recitando mais uma de suas letras. Eu nunca tinha parado pra pensar no sentido dessa letra (ok, “O Fim”, mas… de quê?), mas agora que estou escrevendo este artigo e acabei de ver a tradução, me parece ser sobre o fim da Humanidade. O detalhe é que não se trata de um “fim físico” ou extinção de todos os espécimes da raça humana, mas o fim da Humanidade dentro do próprio ser humano: sem mais amigos, planos para o futuro… até mesmo as crianças perderam o juízo e os laços familiares se romperam (que melhor forma de expressar esse rompimento do que com a parte mais polêmica da letra: “Father, yes, I want to kill you / Mother,…  I want to… ?!”); o ônibus azul chama, mas… “motorista, onde você está nos levando?”

Para… the end of laughter (…)

This is… the end.

Antes que me xinguem, lembrem-se: esta é uma lista pessoal, ok? Mas depois de ouvir a versão ao vivo de 2006, me convenci de que esta é, não só a melhor música com mais de 10 minutos, como a melhor música que eu já ouvi na vida. Para o meu gosto pessoal, é claro. Então…

1. Pink FloydEchoes

Richard Wright, tecladista do Pink Floyd, conseguiu um recorde digno do Guiness pouco antes de falecer. Em Gdansk, Polônia, no show do seu ex-companheiro de banda David Gilmour, em comemoração de aniversário do Movimento Solidariedade (Lech Walesa, esse nome lhes é familiar?).

A história: Gilmour acabara de executar “High Hopes” e, após os aplausos, o silêncio e a escuridão tomam conta do local. Eis então que, com uma única nota, Rick Wright fez com que 50 mil pessoas aplaudissem e gritassem efusivamente: o público reconhece a introdução de “Echoes”, música de 1970 que nem o Pink Floyd, muito menos Roger Waters, tocariam ao vivo por décadas até aquele dia (se o fizeram após “Live at Pompeii”, a gravação é relíquia).

A reação do público dá uma idéia do quanto essa música é querida pelos fãs do Floyd. O início é psicodélico, com as notas tocando aleatóriamente… até que a melodia se forma… vem a guitarra, o contra-baixo… e a bateria dá um toque dramático e comovente à introdução. A letra remete ao mar, e tanto a sequência das passagens instrumentais quanto a própria letra me fazem crer que se trata de uma canção sobre o Amor. Mas uma música de Amor de verdade: as estruturas de acordes, as diversas partes em que a música se divide, os solos de Gilmour, a forma como a voz deste e a de Wright se completam… a letra (“Eu sou você e o que vejo sou eu”, “… então escancaro a janela e te chamo através dos céus”)… simplesmente tudo nessa música de 23 minutos é muito bem feito!!!

Seja na versão de estúdio (álbum “Meddle”), no show “Live at Pompeii” ou nesta versão mais moderna de 2006 abaixo, “Echoes” se mostra uma obra-prima digna de admiração por quem gosta de boa música. Especialmente se você curte músicas com mais de 10 minutos de duração!


Echoes: uma nota e 50 mil pessoas aplaudindo

Bem, está faltando algo nessa lista, não?

Sim, está sim… se vocês repararam bem, eu comecei a contagem regressiva pela número 9 hehehe! É que… eu fiquei tão indeciso entre “… And Justice for All” (Metallica), “Karn Evil 9” (ELP), “Close to the Edge” (Yes), “2112” (Rush) e outras músicas… que achei melhor deixar pra vocês decidirem. Afinal, é provável que vocês me indiquem algo que seja novo pra mim e que merecesse estar aqui… ou alguma música que eu não tenha me lembrado.

Então participe: deixe um comentário dizendo qual é a música com mais de 10 minutos de duração que, na sua opinião, merece figurar neste top 10!

Abraços!!