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Palestina — o sofrimento tem que acabar — parte I

Caros,

Conflito Israel - Palestina
Conflito Israel – Palestina

Mesmo este sendo um blog pessoal, onde reservo-me o direito de expressar a minha opinião, por princípio eu procuro analisar as coisas de modo equilibrado. Porém, ser objetivo e imparcial nem sempre significa ficar em cima do muro. Certas situações são de tal natureza que é exatamente a análise equilibrada que nos leva a tomar partido e, na minha opinião, assim é a questão palestina.

O que é a questão palestina?

Não é a primeira vez que abordo o tema neste blog, mas no artigo anterior eu foquei mais nas ações dos membros remanescentes do Pink Floyd em defesa do povo da palestina. De lá, repetirei apenas a definição:

“Questão palestina”, ou “conflito Israel-Palestina”, são nomes pelos quais é conhecida a disputa territorial pela região da Palestina, entre judeus que ali chegaram principalmente após a formação do Estado de Israel, e os palestinos árabes que viviam anteriormente na região.

Qualquer um que assista um telejornal de vez em quando já viu notícias relacionadas a esse conflito. Jerusalém, Tel-Aviv, Cisjordânia, faixa de Gaza, Hezbollah, intifada, Yasser Arafat, Ariel Sharon, OLP, ataque suicida, homens-bomba; são apenas alguns dos nomes, expressões e siglas que aparecem frequentemente nos noticiários.

Dr. Wilson: E aí, alguma opinião?
Dr. House: Sobre o quê, planos do Sharon para Gaza?

Porém, a cobertura da grande mídia nacional é muito superficial. Mostra mas não explica. E mesmo quando explica, é difícil confiar que as informações e opiniões não tenham sido distorcidas, filtradas ou de qualquer outra forma manipuladas de acordo com os interesses políticos.

Para mim, ficou ainda mais difícil confiar na grande mídia com relação a este assunto ao recorrer às fontes alternativas que a Internet nos propicia. Mesmo que se argumente que documentários também possam ser manipulados, eles ajudam a deixar claros alguns pontos que ajudaram-me a tomar uma posição:

  • Você já viu em algum noticiário, uma cidade israelense sendo bombardeada por aviões palestinos, ou casas israelenses sendo demolidas por tanques árabes?
  • Você sabia que um dos conflitos armados mais importantes da história da região, a Guerra dos Seis Dias, chama-se assim porque Israel derrotou, sozinho, Egito, Jordânia e Síria, que ainda tinham o apoio de Iraque, Kuwait, Arábia Saudita, Argélia e Sudão; em seis dias?!?
  • Você sabe o que são os tais “assentamentos judeus” de que tanto falam (mas não explicam) os noticiários?
  • Você já ouviu falar em alguma revolta popular de Israel contra os palestinos em que tenham sido usados apenas pedras e paus?

Eu imagino que você respondeu “não” a todas essas perguntas. E esses são apenas alguns fatores superficiais que me levaram a me posicionar a favor do povo árabe-palestino, nesse assunto tão complexo que é o conflito com o Estado de Israel.

Povo da Palestina: nada justifica o quanto sofres

Só por aquela introduçãozinha que eu fiz no artigo relacionando a Palestina ao Pink Floyd, ou os meus frequentes compartilhamentos de conteúdos pró-Palestina no meu perfil do Facebook, já me chamaram de “tendencioso”. Bom, para quem for torcer o nariz pra qualquer coisinha que não está de acordo com o status quo do senso comum, é melhor já ir parando por aqui — às vezes me pergunto se algumas pessoas achariam que a verdade pode ser tendenciosa –; agora, se você está procurando saber porque tantas personalidades estão tomando partido do povo palestino, porque existem “homens-bomba”, porque tanta violência e tanto sangue, então continue. Não vou dizer que a verdade está aqui, mas que este artigo pode ajudar a chegarmos a ela. Para isso, vou colocar aqui o que tenho visto em documentários como:

  • Palestina, a História de uma Terra
  • A Estória Sionista
  • Sionismo Rothschild
  • Occupation 101

entre outros materiais que venho pesquisando.

Eu pensei em começar a explicação desde os tempos bíblicos, as raízes dos povos árabe e judeu, das religiões de ambos, etc etc. Mas, além da dificuldade, depois eu cheguei a conclusão de que não é necessário. Em primeiro lugar, os problemas que acontecem hoje estão mais diretamente relacionados com fatos de há pouco mais de 100 anos — sendo mais relevantes aqueles a partir do fim da II Guerra. Em segundo lugar, a situação dos árabes da Palestina é tão descaradamente desumana e vergonhosa para as nações e oligarquias do mundo, que nem mesmo nesses poucos mais de 100 anos não há nada, absolutamente NADA que justifique tamanho sofrimento. Muito menos coisas de sabe-se lá quantos mil anos atrás.

O início do documentário Occupation 101 é um bom ponto de partida para que comecemos a entender melhor o que está por trás dos noticiários da TV. Você tem coragem para conhecer um outro mundo e se colocar na pele de um ser humano que (sobre)vive nos confins da Cisjordânia e da faixa de Gaza? Então assista o trecho abaixo (10 minutos) — ligue a opção de legendas do YouTube (botão escrito “CC” ou  com dois tracinhos embaixo):

 

As regiões onde vivem os árabes palestinos são polidamente referidas na grande mídia como “os territórios ocupados”, como se viver em um “território ocupado” fosse algo sem importância. Em primeiro lugar, essa ocupação é militar. Israel, com sua superioridade militar, cerca, vigia, limita e destrói a vida de cada palestino. Cerca com muros, literalmente, isolando uma região onde existem casas, de outra região onde há um hospital. Desses muros que atravessam toda a Cisjordânia, os palestinos estão sob constante vigilância de militares com armamento pesado. Limita impondo leis cínicas que tiram toda a liberdade civil do “cidadão” palestino, de morar, de construir, de ir e vir. Com maquinário e tiros, destrói as suas casas, suas plantações, seus sonhos, suas vidas.

Um trator chegou com soldados (…), comecei a argumentar com eles para que não demolissem minha casa. Então começaram a me bater. Enquanto o trator demolia minha casa, me lembrei que meu filho dormia lá dentro e corri (…).

Você aguenta mais um pouco?

Eu estava cozinhando (…) e notei que uma das minhas filhas tinha amarrado uma corda na árvore e em volta do pescoço pra tentar se enforcar. (…)

Dificuldades para plantar, para comer, para obter água. Para morar, para construir, para estudar, para trabalhar. E tudo o mais que você possa pensar e eu não me lembro para escrever aqui. Essa é a vida de um típico palestino. Por isso eu não comecei esse artigo com precedentes históricos de milhares de anos atrás. Não pode haver nada lá que justifique tamanha desgraça agora.

Judeus por justiça aos palestinos -- solidariedade à PalestinaJudeus por justiça aos palestinos — solidariedade à Palestina

Sionistas, os verdadeiros culpados

Sim, defender os palestinos não significa ser contra os judeus

Que isso fique muito, muito claro!!! Algumas pessoas caem no erro de culpar os judeus indiscriminadamente pela situação na Terra Santa, e a coisa não é assim. Já vi muito material sobre manifestações maciças do próprio povo israelense contra atos praticados pelo seu governo contra a população árabe-palestina, além de líderes da religião judaica (isso foi surpreendente pra mim quando vi a primeira vez). Isso se deve ao fato de que o real centro da questão árabe-palestina não é religioso, e sim político! E os verdadeiros culpados de toda essa confusão é um movimento político radical, racista e extremamente poderoso denominado SIONISMO. Muitos judeus são sim manipulados por essa facção política que domina o Estado de Israel, mas pouquíssimos judeus são sionistas. E alguns dos que se dedicam ao assunto colocam em dúvida quantos sionistas são realmente judeus.

Eis um testemunho do que estou dizendo:

O judaísmo rejeita o sionismo e o estado de IsraelO judaísmo rejeita o sionismo e o estado de Israel

De tudo, apenas uma dúvida: se o movimento sionista começou como um simples grupo em busca de um território exclusivamente judeu — objetivo que, com boa vontade e trabalho, poderia ter sido alcançado por meios pacíficos –, ou se desde o início já tinha essa mentalidade radical de hoje. Não foi só uma vez que me disseram que os sionistas, no início, não tinham a mínima ideia de onde seria esse território, e que a decisão de estabelecerem-se no Oriente Médio foi adotada somente mais tarde.

Mas com certeza a grande maioria dos mais poderosos do Estado de Israel sempre foram sionistas: defendem não somente um pequeno território onde possam viver em paz, mas sim um Estado exclusivamente “judeu” desde a península do Sinai até a fronteira com o Líbano (que eles já “moveram”, inclusive); e de forma descarada, violenta, impiedosa vão tomando conta da faixa de Gaza e Cisjordânia, impunemente, às custas do que quer que haja em seu caminho: as cidades e as vidas dos árabes da Palestina. E sabe-se lá se ficariam satisfeitos em cumprirem esse objetivo.

Resistência não é terrorismo

É inútil e fútil para nós, continuarmos as conversações de paz e não-agressão contra um governo que revida e apenas ataca selvagemente as pessoas desarmadas e indefesas.
Nelson Mandela

Palestina -- resistência não é terrorismo
Palestina — resistência não é terrorismo

Existem algumas coisas que uma certa parte da sociedade brasileira, acostumada a fazer analises políticas pretensiosas no conforto do seu Facebook, nos comentários dos portais da grande mídia, precisa entender: muitas questões mundo afora não se resolvem com copos de cerveja numa mesa de bar. Tente convidar um político israelense para resolver a questão palestina em um bar na Cisjordânia. Se você conseguir encontrar um bar na Cisjordânia, não se surpreenda que, na semana seguinte, ele seja demolido.

Muitos evocam a não-violência de Gandhi como exemplo a ser seguido pelos palestinos. Se Gandhi fosse palestino, é possível que teria sido assassinado muito mais cedo.

Quando o objetivo do inimigo é exterminar um povo, não resistir é suicídio.

Por isso, digo e repito: RESISTÊNCIA NÃO É TERRORISMO.

(Tanto não é que os sionistas de Israel justificam seus constantes abusos, invasões e tomadas de território com a desculpa de estarem apenas se defendendo. Logo, até eles acham esse argumento válido. O problema é que, no caso deles, é MENTIRA que estejam defendendo)

É claro que é no mínimo desconfortável dizer que tudo o que as organizações como Hisbollah e Hamas fazem, e a OLP fez no passado, como “certo”, e eu não farei isso. Provavelmente devem ter havido abusos, corrupção etc etc como em todo grupo com mais de 10 pessoas. Mas se demolirem sua casa e matarem toda a sua família, e isso se repetisse por anos e anos com todo o povo da sua região, o que você faria? Imagino que tudo o que pudesse. Eu talvez não concordasse com tudo o que você fizesse. Mas não o julgaria, não ignoraria o seu sofrimento, e no conforto do meu lar não o rotularia de “terrorista” se por acaso escolhesse fazer algo além de fugir e se esconder.

Quando tudo começou a dar errado?

Segundo o que aprendi nesses últimos dois anos, árabes e judeus conviviam muito bem na Terra Santa, Oriente Médio e onde quer que fosse até o início do século XX. Se houveram conflitos no passado, estes não passavam de História — e não foram maiores do que os conflitos entre várias outras religiões, nacionalidades ou qualquer outro tipo de agrupamento em que a humanidade possa se dividir. Você ver isso com seus próprios olhos, nesses 4 minutos do documentário “Palestina, História de uma Terra”:

A partir de agora* a câmera é um olho que eterniza, e o que ela registra é isso: uma sociedade muito semelhante a do Cairo, Damasco ou Beirute, numa cidade árabe como outra qualquer.

* o cinema estava dando seus primeiros passos em 1896.

Então, surgiu o movimento sionista, cujos objetivos eu já descrevi acima. Se quiser saber um pouco mais sobre como esse movimento começou, por favor, assista a mais esse trecho em vídeo, agora do documentário “A Estória Sionista”:

Ok. Então o primeiro ponto chave dessa história é o início do século XX, quando os sionistas se decidem pela Palestina e então começam a usar de seu poderio econômico: começam a comprar as terras, exigindo que fossem entregues vazias (ou seja, que os moradores árabe-palestinos sejam expulsos) ou “esvaziando-as” eles mesmos depois de compradas — ao mesmo tempo em que faziam propaganda para que os cidadãos judeus comuns as ocupassem. Mesmo assim, a imensa maioria da população na virada do século XIX para o XX na região continuava árabe: coisa de 85 a 90%.

I Guerra Mundial e a batata quente

Com a I Guerra Mundial, o já decadente império turco-otomano cai de vez nas mãos de ingleses e franceses, que fazem a partilha do território. A região palestina fica com os ingleses, em um regime confuso que eu ainda não entendi pra falar a verdade. Mal sabiam eles o barril de pólvora que tinha dentro desse baú.

Bom, o que sei é que os ingleses começaram tentando agradar os sionistas, dando espaço a eles para continuarem sua infiltração em território palestino, mas a verdade é que, até pouco antes da Segunda Guerra, ficou claro que sua administração confusa não agradou foi a ninguém.

Foi neste período entre-guerras que começaram a surgir os primeiros embates: entre palestinos e ingleses, palestinos e “judeus” e… surpreendentemente, entre ingleses e “judeus”!!! Eu também não sei explicar o que deu errado entre os ingleses e sionistas, mas é fato que houve uma crise terrível inclusive com fatos históricos famosos que com um pouco de pesquisa (inclusive nos documentários citados) vocês mesmos podem encontrar. E essas mesmas fontes lhes diram que, ao final da II Guerra Mundial, a vencedora porém exausta Grã-Bretanha estava louca para passar a batata quente, e então temos mais um ponto chave na história:

Nazismo, holocausto e a trapalhada da ONU

E a batata quente foi passada para a ONU descascar.

Recém-criada para — oficialmente — ser uma organização para unir as nações do mundo e tentar resolver problemas de forma negociada e pacífica — embora extra-oficialmente sirva apenas para legitimar as ações terroristas de interesse dos Estados Unidos, ou para ficar impotente diante deles –, a Organização das Nações Unidas assumiu a tarefa de tentar resolver a questão palestina após o fim da II Guerra Mundial.

Acontece que aqueles eram tempos muito favoráveis aos sionistas, pois os verdadeiros judeus tinham acabado de serem massacrados pelo nazismo de Hitler na Alemanha. O holocausto, sem querer desmerecer o que houve — embora ultimamente estejam surgindo questionamentos sobre sua existência –, tornou-se a desculpa perfeita para legitimar perante o mundo a ambição da criação de um estado judeu — ou sionista, melhor dizendo. Eis mais um trecho de “Palestina, História de uma Terra”:

Se os europeus querem dar uma pátria aos judeus, se eles se sentem culpados por os terem perseguido, deixem que eles dêem aos judeus uma pátria NA EUROPA!
delegado árabe em discurso na ONU

Mas foram os árabes quem pagaram pelo nazismo alemão. Os árabes palestinos reagiram à entrega de mão-beijada de metade de seu território, legitimada por todas as nações do mundo (para quem você reclamaria?), mas pouco puderam fazer diante do armamento que os sionistas podiam comprar. Iam sendo assassinados e enxotados das regiões estabelecidas como judias pela ONU para Gaza, Cisjordânia, Síria e Líbano, iniciando o problema dos refugiados palestinos. Casas, vilarejos e cidades inteiras foram abandonadas por centenas de milhares de pessoas com medo de fazerem parte daqueles que já haviam sido assassinados em massacres como o de Dir Yassin.

Houve até mesmo uma guerra onde os países árabes vizinhos tentaram varrer os sionistas para o Mar Mediterrâneo, e esta foi a única vez em que tal coisa teve alguma chance real de acontecer (apesar da ladainha mais repetida pelos sionistas como justificativa para continuarem “se defendendo”). Um delegado sueco que estava relatando a expulsão dos palestinos de suas casas tivera seu assassinato encomendado pelos sionistas. E ao fim do conflito, o que acabou acontecendo é que Israel conquistou militarmente ainda mais território do que a ONU lhes havia concedido. Com o fim do mandato britânico sobre a Palestina, Israel declarou sua independência e aos árabes restou apenas serem anexados: Gaza pelo Egito, Cisjordânia pela Jordânia. Agora os sionistas estavam livres para encher Israel de judeus à vontade.

Bom, creio que o artigo já tem conteúdo suficiente para uma publicação. Acho melhor dividir em partes esse assunto também. Vou fechar aqui como parte 1 e espero que vocês retornem para conferirem a parte 2.

Espero que tenham uma boa reflexão. Espero que decidam pesquisar cada um dos pontos-chave aqui por si mesmos, se não confiarem nas minhas palavras. Acreditem, mesmo o artigo tendo ficado longo e com os vários trechos de vídeo, ainda cada ponto pode ser aprofundado, mas a minha missão aqui não é escrever um livro e sim apenas despertar sua curiosidade para um lado do assunto que a mídia não mostra.

Lembro aqui também que eu sou só uma pessoa comum. Minha única preocupação é com o sofrimento de outras pessoas, outros seres humanos como eu e você. Não me interessam organizações, religiões, partidarismos, a não ser até o ponto que me ajudem a entender o que acontece. Se de repente eu descobrir que estou completamente enganado, que toda a Terra Santa é um paraíso onde árabes só não vivem junto com os judeus em paz e condições pelo menos humanas porque não querem, isso seria ótimo!

Eu não estou preocupado em ter razão, quem me dera se eu estiver totalmente enganado.

Mas caso não esteja, isso sim é motivo de preocupação, e que quis compartilhar com vocês para que, juntos, tentemos fazer alguma coisa.

Porque o sofrimento dessas pessoas, tanto dos palestinos quanto dos judeus que acabam pagando pelo desespero deles e pela manipulação dos sionistas, tem que acabar.

Abraço,

Um ser pensante