Blog Um Ser Pensante

expondo o que pensa e sente, enquanto vive...

fixo

Pink Floyd – Take it Back: apenas uma canção de amor?

A versão mais recente do Pink Floyd pode não ser tão superficial quanto parece

Álbum de 1994, “The Division Bell”, o segundo após a saída de Roger Waters. A parceria com a escritora e sua esposa Polly Samsom não foi suficiente para livrar David Gilmour de uma chuva de críticas por levar o Pink Floyd a uma linha mais próxima do pop-industrial. E não somente quanto a sonoridade, mas também com relação às letras: “What Do You Want from Me”, “A Great Day for Freedom”, “Coming Back to Life” e “Take it Back” parecem falar sobre o tema mais batido da história da música, algo insuportável para fãs de uma banda acostumados a temas existenciais e críticas à sociedade.

Porém, esses dias eu assisti o vídeo-clipe de “Take it Back” (a tradução seria algo como “Pegar de Volta”, ou “Retomar”), repleto de imagens que remetem à natureza: do microscópico à vastas paisagens, catástrofes, mar, gelo, fogo, animais, vulcões.

Então me veio à cabeça a letra:

Her love rains down on me easy as the breeze
I listen to her breathing it sounds like the waves on the sea
I was thinking all about her, burning with rage and desire
We were spinning into darkness; the Earth was on fire

She could take it back, she might take it back someday

So I spy on her, I lie to her, I make promises I cannot keep
Then I hear her laughter rising, rising from the deep
And I make her prove her love for me, I take all that I can take
And I push her to the limit to see if she will break

She might take it back, she could take it back some day

Now I have seen the warnings, screaming from all sides
It’s easy to ignore them and G-d knows I’ve tried
All this temptation, it turned my faith to lies
Until I couldn’t see the danger or hear the rising tide

She can take it back, she will take it back some day
She can take it back, she will take it back some day
She can take it back, she will take it back some day

Reparem uma coisa: “cai sobre mim como chuva, tão leve quanto a brisa”, “soa como ondas do mar”, “ouvir a maré subindo”? Não são referências demais à natureza aqui na letra também?

Além disso, me lembrei do documentário “Earth 2100”, uma projeção do futuro da humanidade se tudo continuar como está indo. Segundo o documentário, por perto do ano 2100 a civilização como a conhecemos terá sido destruída. E a natureza terá seu “momento de retomada”, “pegando de volta” o espaço que lhe foi roubado pelo concreto e asfalto.

Ok,… com base em tudo isso, e fazendo algumas adaptações da tradução ao contexto, poderíamos arriscar uma interpretação de “Take it Back” mais ou menos assim:

Seu amor cai sobre mim como chuva, tão leve quanto a brisa
Eu ouvia-a respirar, soava como ondas do mar

No começo, o homem (“eu”) era abençoado pelo que a Natureza (“ela”) lhe oferecia (“chuva”, “brisa”…).

E eu só pensava nela, queimando de raiva e desejo
Nós estávamos girando, caindo na escuridão; a Terra estava em chamas

Mas nos tornamos egoístas, guerreamos (“raiva”, “Terra em chamas”) entre nós por ganância (“desejo”) pelo que a Terra podia nos oferecer (“só pensava ‘nela'”) e tudo começou a mudar.

She could take it back, she might take it back someday
Ela [sempre teve o poder] de retomar [tudo], ela pode retomar [tudo] um dia

Então eu a espio,
Seria o uso de tecnologia no descobrimento de recursos naturais?

Eu minto a ela, faço promessas que não consigo cumprir
Pode se referir a acordos internacionais de proteção ambiental que não são respeitados.

Então ouço-a começar a rir, bem lá no fundo
Aqui os efeitos da destruição da natureza começam a dar sinais (“her laughter rising”)

E eu a faço provar seu amor por mim, eu [lhe] tomo tudo o que posso
Forço-a até seu limite pra ver até onde ela aguenta
Bem, esses versos chegam a ser auto-explicativos… :-)

Ela pode retomar tudo, ela [sempre teve o poder] de retomar [tudo] um dia

Agora eu vejo os avisos “gritando” de todos os lados
É fácil ignorá-los, e Deus sabe que eu tentei
Toda essa tentação me fez crer em mentiras
Até que eu não pude ver o perigo ou ouvir a maré subindo

Bem, aqui temos o resultado de toda a ganância (“tentação”) e irresponsabilidade. Catástrofes, mudanças climáticas (“warnings screaming from all sides”) e todos os efeitos do que o homem tem feito com o meio ambiente. Mesmo assim, muitos ainda persistem no erro de colocar o dinheiro acima da vida (“turned my faith in lies”), ignorando os avisos (“it’s easy to ignore them”!) por mais que eles se tornem cada vez piores (“the danger”, “the rising tide”).

Se essa música tivesse sido composta mais recentemente, poderia-se especular se “the rising tide” se refere especificamente aos recentes tsunamis… mas não vamos exagerar.

Espero que o conteúdo desta mensagem (ou ao menos dessa interpretação) seja ouvida um dia por aqueles que detêm o poder das decisões. Afinal, o planeta continuará, a vida aqui irá continuar. Os únicos que serão eliminados… seremos nós mesmos.

She can take it back, she will take it back…
Ela pode retomar [tudo], ela VAI retomar [tudo]…

… some day.
… um dia.

Abraços
Um ser pensante

1 comments
Jocka João Luiz
Jocka João Luiz

Uma canção de amor para quem ama, como a maioria das letras em todos os sons deles... mas, sempre, para ser ouvida e produzir a suavidade da vida