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Pink Floyd – Uma história sem fim

Não irei aqui listar discografias, citar datas ou outros dados exatos que podem facilmente ser encontrados em qualquer site na Internet, a não ser aqueles que me vierem à mente enquanto escrevo sobre o que o Pink Floyd significa para mim.

A música é um universo em si, e o rock é uma de suas mais ricas galáxias. Porém, estas cinco estrelas, apesar de formarem apenas uma constelação, ao mesmo tempo extrapolaram os limites dessa galáxia a ponto de deixarem confusas as cabeças mais fechadas. Seus nomes: Syd Barrett, Roger Waters, David Gilmour, Nick Mason e Rick Wright, integrantes do Pink Floyd — nome que, com certeza, já está eternizado não só na história do rock, como da música e da Arte. E, com um pouco de boa vontade, há de se considerar também suas críticas políticas e sociais, análises existenciais e atuação relevante em situações e fatos históricos.

E isso não é exagero de fã, como vocês poderão ver em outros artigos que pretendo escrever. Aliás, pelo contrário: são todos esses aspectos, aliados ao balanço ideal entre técnica e melodia, letra e harmonia, megalomania e simplicidade, instrumentos e tecnologia, amor e ódio, razão e sensibilidade, que foram conquistando minha alma aos poucos.

Já são quase 50 anos de música, em uma história que iniciou-se em 1966 e divide-se em várias fases:

— Fase psicodélica — inicialmente liderado por Syd Barrett, o Pink Floyd fazia um som onde, na maior parte do tempo, a criatividade à beira da loucura de seu principal mentor sacrificava a melodia para melhor poder acompanhar as “viagens mentais” regadas a LSD, ou (o que é mais saudável) a substituí-las. As letras eram descompromissadas, mas não raro tinham algum mistério a ser desvendado ou uma temática clara: “Astronomy Domine”, “Arnold Layne”, “Set the Controls for the Heart of the Sun” e “Interstellar Overdrive”são alguns exemplos.

Ao final desta fase, com a perda de Syd e a entrada de Gilmour em seu lugar, o Pink Floyd foi aos poucos tornando-se mais melódico, como em “Fat Old Sun” e culminando na belíssima “Echoes”, de 1970.

— Fase progressiva — esta fase caracteriza-se pelas letras e conceitos cuidadosamente concebidos e a transformação do Pink Floyd em um gigante da música. “Dark Side of the Moon”, de 1972/73, foi o principal responsável pelo sucesso da banda, sendo simplesmente o 3º álbum mais vendido da história da música mundial.

Dark Side of the Moon: campeão de vendas

Este álbum simboliza a harmonia perfeita entre os membros, dando continuação o auge alcançado em “Echoes”: Waters impecável nas letras, Gilmour nos solos e melodias, com Wright acompanhando-o em seus teclados e sua bela voz, e Nick Mason tocando bateria como se ela tivesse notas. Outro destaque é “The Wall”, de 1979, onde figura o hit “Another Brick in the Wall – part 2” e que deu origem a um filme de mesmo nome em 1982 e uma das turnês mais grandiosas de todos os tempos.

— Fase “pop” — porém, durante “The Wall” o relacionamento entre os integrantes do Floyd já não era o mesmo. Na metade dos anos 80, Roger Waters simplesmente seguiu seu rumo sozinho, como se Gilmour, Mason e Wright não existissem e deixando o nome “Pink Floyd” esquecido. Mas, quando David Gilmour re-uniu os dois velhos amigos para um novo disco e uma nova turnê, tornou-se mais clara a estranha “separação” com uma briga judicial sobre “quem era o Pink Floyd”. Bem, Gilmour venceu e deu início a uma nova fase, com músicas menos estranhas, mais comerciais. Embora ainda contivesse todo o talento e grandiosidade que sempre caracterizou o Pink Floyd, sem a “loucura racional” de Roger Waters, obviamente não era a mesma coisa. Ainda assim, há de se destacar as ótimas melodias de “On the Turning Away”, “High Hopes”, entre outras. E ainda havia espaço para os mesmos mistérios de sempre, como na música “Take it Back”, de 1994, última composição da banda a tornar-se hit.

Waters e Gilmour: reconciliação?

— Fase esporádica — assim, na metade da década de 90, encerra-se a discografia oficial da banda. A partir daí, apenas álbuns solo e shows esporádicos com 1 ou 2 membros da banda, a exceção de Roger Waters que continuou fazendo turnês nos moldes tradicionais, cantando e sorrindo como um menino de 60 anos. Os fãs ainda tiveram a oportunidade de ver os quatro integrantes da formação clássica ainda mais uma vez, no evento beneficente live8, antes que Richard Wright viesse a falecer em 2008. Gilmour, Mason e Waters ainda proporcionaram algumas surpresas aos fãs e alimentaram, por algum tempo, a nossa esperança de que a produção do Rock in Rio 2011 tivesse um pouco mais de visão e senso de oportunidade para ao menos tentar trazê-los pela primeira vez ao Brasil.

Isso é o que tenho a dizer sobre uma das minhas maiores paixões nessa vida… por enquanto. “Causos” sobre esses caras é o que não falta e, conforme o sistema for me concedendo oportunidade, compartilharei tudo o que eu puder neste blog.

Saudações floydianas,

Um ser pensante.

2 comments
Jocka João Luiz
Jocka João Luiz

sem capítulo final, sem resumo, sem destino nublado... é vital enquanto o pulso ainda pulsa

ksant1ago_
ksant1ago_

Adorei a descrição.

Relatou meus sentimentos