Blog Um Ser Pensante

expondo o que pensa e sente, enquanto vive...

fixo

Quem sou eu

Semi-anonimato

Nos meus perfis do Facebook e Orkut, muitos ficam curiosos em saber meu nome e por que uso um pseudônimo. Outros, quando uma discussão vira bate-boca, logo dizem que estou me escondendo por trás de um nick. Alguns recebem o apelido com bom humor, respeito e até mesmo admiração, enquanto outros se sentem ofendidos por eu me declarar “um ser pensante”.

De uma forma ou de outra, eu iria mesmo dedicar uma parte do blog para falar de mim, mas algumas das situações descritas acima me fizeram ver que isso não seria apenas desejável, e sim necessário para diminuir mal-entendidos.

Quando resolvi criar este blog, eu tinha em mente que grande parte do conteúdo seria muito polêmica; ou seja, seriam assuntos sobre os quais não se conversa em “situações sociais”, pelo seu potencial explosivo: religião, Comunismo, Psicologia, Palestina, meio ambiente, política, Estados Unidos, relacionamentos, Teoria da Evolução, comportamento, Cuba. Achei que seria melhor separar minha vida de pensador da minha vida pessoal, familiar e profissional. Não que eu seja de esconder o que penso, muito pelo contrário. Mas nós vivemos em sociedade, e por mais que se discorde e se viva independentemente de suas regras, em certos momentos o custo-benefício de bater de frente não compensa. Não se pode fazer de conta que a sociedade não existe, até porque pessoas que você ama podem ser prejudicadas por isso.

Além do mais, não expôr meu nome diretamente vai dificultar um pouquinho o trabalho de alguém que porventura queira me prejudicar; embora no caso da CIA, por exemplo, será fácil descobrir meu nome e endereço com meu serviço de hospedagem, quando eu postar algo dizendo que a família Bush deveria ser enforcada da mesma forma que o Saddam Hussein. (ops!..)

Por que “um ser pensante”?

Que eu teria de usar um nick, já estava decidido. Além do mais, o próprio blog precisaria de um nome… mas… qual?

Bom, pra encurtar a estória, há alguns anos atrás eu tive uma crise existencial terrível… um dia da minha vida que costumo chamar de “marco zero”… Estava mais do que claro que eu precisava de ajuda, e resolvi procurar acompanhamento psicológico.

Mais adiante no tratamento, minha terapeuta fez aquela perguntinha básica: “quem é você?”. Me lembrei do que eu havia escrito no perfil do Orkut, no campo que basicamente faz a mesma pergunta. Respondi a ela exatamente dessa forma — falando desse campo a ser preenchido –, e o que eu havia escrito nele: um trecho de “For the Greater Good of God”, do Iron Maiden:

Please tell me now what life is
Please tell me now what love is
Well tell me now what war is
Again tell me what life is

For the greater good of God

–*–

Por favor, me diz agora o que é a vida
Por favor, me diz agora o que é o amor
Bem, me diz agora o que é a guerra
De novo, me diz o que é a vida

Pelo amor de Deus

E completei, com dificuldade: “… sei lá, eu… eu sou isso… parece que eu sou um monte de perguntas…”

E ela arrematou: “você é um ser pensante”

Conclusão

Embora eu tenha aprendido a ter auto-estima e a gostar do que sou, que fique bem claro: o uso desse apelido “um ser pensante” não tem intenção de soberba. O fato de eu ser UM ser pensante não exclui a possibilidade de que você também o seja. Ou ciclano, beltrano ou seja lá quem for. Não tem a ver com os outros. Isso é comigo.

Afinal, que grande vantagem há em ser pensante para que as pessoas se sintam ofendidas? Eu precisei de quase 20 anos pra ajustar minhas emoções ao meu senso crítico e aos meus pensamentos para que eu pudesse dizer “eu sou uma pessoa feliz”. Pensar nunca me trouxe dinheiro, nunca me fez ter sucesso com mulheres, não tenho como ficar exibindo isso por aí na noite, na Grécia Antiga podia até dar algum status, mas não hoje, especialmente se seus pensamentos vão contra o status quo. A única coisa de que posso me orgulhar são minhas idéias, ideais, princípios e o que faço para segui-los.

Minha busca pela verdade, idéias novas e combinações de velhas conhecidas, pontos de vista, interpretações, possibilidades… isso fervilha na minha cabeça o tempo todo. Isso tem vantagens e desvantagens. Pra citar exemplos, sai tanto sentimentos bons, idéias úteis, palavras belas, quanto conclusões sombrias, sentimentos negativos e palavras desagradáveis.

E por todo esse movimento incessante, reservo-me o direito de, pelo menos, considerar-me…

… um ser pensante

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