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The Dark Side of the Moon, by Pink Floyd — 1973

Pink Floyd - The Dark Side of The Moon - aniversário de 40 anos
Pink Floyd – The Dark Side of The Moon – aniversário de 40 anos

Junto com “Piper at the Gates…” e “The Wall”, “The Dark Side of the Moon” forma a Santíssima Trindade Floydiana. Este mês, o eterno e perfeito álbum completa 40 anos de idade e, em homenagem a isso, compartilharei aqui alguns pensamentos sobre um dos meus sons favoritos.

“The Dark Side of the Moon” (“O Lado Escuro da Lua”) foi um dos primeiros álbuns do Pink Floyd que eu ouvi, mas confesso que estranhei. Acostumado com o rock mais convencional, me causaram estranheza canções como “Us and Them” e “The Great Gig in the Sky”. De primeira, “apenas” “Time” e “Money” me chamaram a atenção. Mas nem a minha imensa ignorância resistiram muito tempo à beleza desse álbum.

Não demorou pra eu perceber porque “Dark Side” é campeão absoluto de vendas e detentor de recordes até hoje. A tecnologia atual, ao invés de denunciar os 40 anos de idade, apenas serve para rejuvenescer o som dos teclados, dos “backings” vocais, sintetizadores e, claro, das guitarras e efeitos (especialmente “On the Run” e a introdução de “Time”). Para os mais exigentes neste quesito, basta dar uma ouvida nas gravações ao vivo mais atuais, como “p. u. l. s. e”, por exemplo.

Em “Dark Side”, os quatro integrantes do Pink Floyd estão não só em grande momento individual (sendo que Richard Wright está no seu auge), como em uma harmonia que duraria apenas mais um álbum: “Wish You Were Here”. Apesar de Roger Waters ter monopolizado as letras (em um álbum onde quase metade das músicas é instrumental), todos contribuem de forma significativa (até Mason assina algumas autorias).

Em termos de som, ainda deve-se ressaltar os solos de guitarra em “Time” e “Money” e a perfeita “Us and Them” (teclado, piano, o inesquecível solo de sax, vocais, o dedilhado característico, o eco preenchendo os versos iniciais de cada estrofe…), além de “The Great Gig in the Sky”, onde a cantora dá um show de sensibilidade junto com os músicos da banda. Bem, não dá pra descrever com palavras a sensação de ouvir as músicas, então vou passar para as letras… ao menos do que me lembro agora.

A capa de "Dark Side" tornou-se uma bandeira, um amuleto
A inconfundível capa de “Dark Side” tornou-se uma bandeira, um amuleto para os fãs

Álbum conceitual

Não é à toa que a principal característica de “The Dark Side of the Moon” seja a longevidade: creio serem raríssimos os álbuns que sejam tão vendidos, respeitados, analisados e comentados como “Dark Side” o é, passados 40 anos. “The Dark Side of the Moon” é um álbum conceitual: as músicas devem ser consideradas em conjunto, pois unidas tratam de um tema central. Se bem me lembro das entrevistas de Roger Waters, “Dark Side” fala sobre os elementos da vida moderna que podem levar o ser humano à loucura.

Trabalho, tempo e dinheiro

Faz sentido. Eis alguns versos de “Breathe” (“Respire”, no sentido de “tomar um fôlego”):

Run, rabbit, run
Dig that hole, forget the sun
And when at last the work is done
Don’t sit down, it’s time to dig another one

Corra, coelho, corra
Cave esse buraco, esqueça o sol
E quando enfim o trabalho estiver terminado
Não sente pra descansar, é hora de cavar mais um

Não consigo ver outra coisa aqui a não ser a rotina de trabalho. Nada mais somos do que coelhos que não param para descansar; chegamos ao fim de uma tarefa para simplesmente começarmos outra, indefinidamente. Ao final da mesma canção, um aviso:

You race towards an early grave

Você vai direto para uma morte precoce

Relacionado ao trabalho, está o tempo. “Time” tem uma das letras mais fáceis de se identificar, e que se divide claramente em duas partes. A primeira descreve a infância, adolescência, uma época de calmaria e até mesmo de monotonia, quando:

You are young and life is long and there is time to kill today

Você é jovem e a vida é longa e podemos “matar o tempo”
(ou “há tempo para matar hoje”, se você preferir a tradução literal)

que de repente se acaba quando:

then one day you find ten years have got behind you
No one told you when to run, you missed the starting gun

então um dia você se depara com 10 anos bem atrás de você
Ninguém te avisou quando deveria [começar a] correr, você perdeu o tiro de largada

The Dark Side of the Moon: 40 anos e mais atual do que nunca
The Dark Side of the Moon: 40 anos e mais atual do que nunca
Crédito de imagem: musicsurvival.blogspot.com

A segunda parte fala sobre quando começamos a correr contra o tempo perdido, atrás do Sol, que está “afundando, correndo e dando a volta para aparecer atrás de você novamente” (“O Sol é o mesmo, relativamente, mas você está mais velho”). E, por falar em se identificar com a letra, quem nunca comentou algo parecido com:

Every year is getting shorter, never seem to find the time

Cada ano é cada vez mais curto, parece que nunca encontramos tempo [pra nada]

Ok, vivemos trabalhando e correndo contra o tempo… por quê? Pra ganhar dinheiro, ora essa! Então é claro que temos uma música chamada “Money”, cujo verso resume tudo:

Get a good job with more pay and you’re OK

Consiga um bom emprego que pague mais e você está OK

Trabalho, tempo e dinheiro: eis o tripé do dia-a-dia da vida moderna!

Guerra e loucura

“Us and Them” (“Nós e Eles”) é uma das mais belas canções de toda a carreira do Pink Floyd, e o título remete a uma expressão muito usada em guerras para falar da separação entre “nós” e “o inimigo”. Mas, nos damos conta, somente depois da guerra:

… after all, we’re only ordinary man.

… depois de tudo, somos apenas homens comuns.

E se há pouco falávamos de dinheiro…

With, without
And who’ll deny it’s what the fighting’s all about

Os que tem e os que não tem
E quem vai negar que é disso que a briga se trata

(estes são versos de tradução meio difícil, então não farei ao pé da letra)

… deixando clara a motivação econômica por trás de grande parte das guerras, se não todas.

E, pra fechar, como separar os temas guerra e loucura, se tanto a loucura nos leva a guerra, quanto a guerra — que em si já é um absurdo — costuma deixar marcas nas mentes daqueles que a enfrentam? (já viram a letra traduzida de “Zombie”, do Cranberries?). Lembrem-se que o Pink Floyd enfrentou um caso de insanidade mental logo no início da carreira, com seu primeiro líder Syd Barrett. Não é à toa que a penúltima música do álbum chama-se “Brain Damage” (“Dano Cerebral”).

The lunatic is on the grass

O lunático está na grama

Me lembro de uma entrevista de Roger Waters falando sobre este verso. Sabe aquelas placas “Não pise na grama”? Imagine o cenário, você vendo um belo gramado, cercado, protegido e com esse aviso bem visível para todos. Mas eis que você repara ao fundo alguém se dirigindo impunemente para a cerca, como se ela não existisse. Então, o imprevisível acontece: o sujeito ignora o aviso e, agora, caminha pela grama todo tranqüilo, como se não houvesse aviso nenhum. As pessoas provavelmente irão comentar: “ora, quem tem a ousadia de quebrar as regras desse jeito?”, “quem tem essa falta de noção?”, “só mesmo sendo louco…”

“Na verdade, ela é toda escura…”

E assim termina a nossa “vida moderna”, que no início achamos que será cheia de alegrias, realizações, assim como quando crianças pensamos que a Lua é um astro luminoso.

Mesmo quando adultos, ainda tentamos nos enganar com essa história de “copo meio cheio”, “lado escuro da Lua”, mas…

There is no dark side of the moon really. Matter of fact it’s all dark…

Não há lado escuro da Lua realmente. Na verdade ela é toda escura…

Há muito, mas muito mais mesmo a se falar sobre “The Dark Side of The Moon”, mas por enquanto fico por aqui.

Abraços

Um ser pensante

12 comments
Decio Soares
Decio Soares

Sinceramente, eu gosto muito de música, mas igual a esta banda dificilmente alguém vai aparecer. ...

Elton Kold Kold
Elton Kold Kold

Um dos maiores discos da história o talento e a genialidade desses cara dispensa comentários

Hermano S Montenegro
Hermano S Montenegro

Perfeita análise! simples mas profunda, assim como a própria obra. Relata com certeza, parte do nosso sentimento sobre ela. Parabéns pela forma didática, concisa e sobretudo simples. Adorei.

Servulo Antonio
Servulo Antonio

Esse foi o início das minhas "viagens" inesquecíveis !!

Rick Rod
Rick Rod

UM ÍCONE DO SOM DO FLOYD ! Marcou varias gerações.

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Obrigado pelos comentários e compartilhamentos, queridos amigos. Caso queiram ajudar ainda mais o blog, usem tb o Twitter e o Google+ :) Saudações Floydianas!!!

Dimas Oliveira
Dimas Oliveira

Pink Floyd dispensa comentários..... e este CD é um dos meus prediletos.

Claudio Chiminazzo
Claudio Chiminazzo

Show, uma obra prima Fantástica, nem precisar dizer né, se tratando de obra prima kkkkkk

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Maurilio Gomes Cardoso Moura Infelizmente não consegui comprar ingresso pq tem algum problema entre o ingresso.com e o meu cartão :/ Mas no show do Gilmour eu vou!!!

Maurilio Gomes Cardoso Moura
Maurilio Gomes Cardoso Moura

Sou Fã Mais Muito Fã To Na Expectativa Do Novo Filme Do Roger The Wall. Vi O Trailer O Loco Parece Coisa Da Nasa

Maurilio Gomes Cardoso Moura
Maurilio Gomes Cardoso Moura

Sensacional Eu Também A Primeira Vista Não Gostei Das Musica Do Pink Floyd Depois Mim Aprofundei Nas Ideias Deles E Hoje Sou Um Colecionador De Tudo Deles

Trackbacks

  1. Lazer doMelhor / The Dark Side of the Moon, by Pink Floyd -- 1973 disse:

    […] […]