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Visão de Mundo parte IVb – Capitalismo e tecnologia (continuação)

Energia, um gargalo econômico

J. P. Morgan e John D. Rockefeller
J. P. Morgan e John D. Rockefeller – a fortuna está nos gargalos

Duas palavras que transformaram o mundo: petróleo e eletricidade. J.P. Morgan ganhou muito dinheiro “cabeando” a energia elétrica pelo mundo. E espero não ser necessário dizer o quanto John D. Rockefeller deve ter ficado rico com sua empresa petrolífera Standard Oil Company, atual Exxon. O grande problema é que dinheiro, e o poder que ele traz, parece que se torna um vício. Quanto maior o poder, maior o medo de perdê-lo. E maiores as atrocidades de que o ser humano é capaz para mantê-lo.

Para você entender meu raciocínio, é muito importante termos a noção de que “a fortuna está nos gargalos”. Não é à toa que grandes cidades nasceram e cresceram em importantes rotas comerciais, ou seja, onde era obrigatório se passar para comprar e/ou vender (Constantinopla, o canal do Panamá e Ciudad del Este que o digam).

Porém, não é dos gargalos geográficos que estou falando, e sim dos econômicos. Se você quer dominar o mundo, basta dominar algo de que o mundo inteiro precisa em dado momento. Riqueza será simples consequência. Consequência do poder advindo do controle de um gargalo econômico.

“Gargalo” é um recurso escasso: algo que existe em quantidade relativamente pequena. Quando se possui algo de que muitas pessoas necessitam, mas não existe o suficiente para todos, aqueles que puderem pagarão mais que os outros para adquirir. É a Lei da Oferta e da Procura. Se você já teve que comprar ingresso de cambista para um show ou um jogo, sabe bem do que falo. Agora, se você imaginar que o mundo inteiro se move com a energia elétrica e a obtida do petróleo, vai saber o tamanho do poder e das fortunas das pessoas que detêm esses recursos (ou os meios para obtê-los) desde o fim do século XIX.

E também poderá imaginar de que esses grandes poderosos são capazes, para manter seu poder sobre o mundo.

Energia livre

Nikola Tesla, pai da eletricidade moderna
Nikola Tesla, pai da eletricidade moderna

Para um cientista cujas ambições não são financeiras, o capitalismo é uma faca de dois gumes. Nikola Tesla experimentou ambas.

Quando criou tecnologias baseadas em corrente alternada, contra o ceticismo de rivais célebres como Thomas Edison, e apresentou-as ao mundo, Nikola Tesla tornou-se o pai do mundo moderno. Foi-lhe dada a oportunidade de participar dos maiores eventos, conviver com gente importante, e até as mulheres “lhe davam bola”. Mas talvez nem ele mesmo tivesse percebido porque o mundo aceitara tão bem essa sua primeira fase.

A questão é que a corrente contínua, o primeiro tipo de corrente elétrica usada em aplicações práticas até então, era suficiente para acender lâmpadas e outras tarefas úteis, mas não podia ser transportada a longas distâncias. A corrente alternada sim, poderia sair de uma central de alta tensão, percorrer longas distâncias através de cabos, ter a tensão rebaixada nas proximidades das cidades e alimentar as residências com segurança; e sem grandes perdas pelo caminho. Para vocês terem uma ideia, mais de 100 anos depois, a eletricidade do nosso dia-a-dia segue exatamente esse esquema de Nikola Tesla. A ele (e não ao “capitalismo”) devemos o conforto de nossas vidas modernas.

Tesla é o gênio, mas Morgan é o empresário que ficou com os lucros. Pois era dele o cobre dos cabos que se espalhavam pelos Estados Unidos.

Os dois se aproximaram, pois Tesla precisava de financiamento para uma nova invenção: basicamente, a transmissão de ondas de rádio (ou seja, sem fio) a longas distâncias, sintonizada por frequência (sim, o rádio estava apenas começando). J.P. Morgan financiou… até quando descobriu que Tesla tinha um objetivo maior em mente: não apenas transmitir informações, mas a própria energia elétrica. De forma livre. Sem cabos. Pois, a energia elétrica, segundo Tesla, estava “por aí”. No ar. Era só questão da tecnologia para utilizar.

Guardem bem esta frase, e reflitam sobre ela:

“Não posso colocar um contador, não vou financiar.” – J.P. Morgan

O cobre dos cabos enriqueceu J.P. Morgan, e o mundo parou aí.
O cobre dos cabos enriqueceu J.P. Morgan, e o mundo parou aí.

Mas não bastava cortar o financiamento. A ideia deveria ser morta, ou a fonte de lucros gigantescos que se tornaram os cabos elétricos (gargalo econômico, lembram?) iria por água abaixo. O laboratório de Tesla sofreria um incêndio pouco depois.

Quando sua genialidade parou de ser fonte de lucro, Tesla foi abandonado, desacreditado e até ridicularizado. Até mesmo sua patente para o rádio foi “superada” pela de Marconi. Conheceu o outro gume da estranha relação entre capitalismo e tecnologia. Ele mesmo caiu na excentricidade, talvez por não ter percebido o que exatamente estava lhe acontecendo.

Coincidência? Poderia ser, se a história não se repetisse com todo mundo que tentasse algo semelhante.

O documentário “Thrive, What On Earth Will It Take?” (“Prosperar, O Que Na Terra Será Necessário?”) mostra vários exemplos de cientistas que tentaram dar ao mundo acesso a energia ilimitada, mas que foram impedidas por forças mais poderosas. Pra não ficar cansativo, eu destaquei um trecho, de cinco minutos apenas:

Foi interessante ver que este Eugene Mallove, espancado até a morte por ser entusiasta da energia livre, participa efetivamente de outro documentário sobre o assunto, um pouco mais antigo. Este é repleto de exemplos de cientistas que tiveram seus inventos desacreditados, confiscados, cujas patentes foram ou estão sendo negadas, e outras dificuldades. Pra variar, Nikola Tesla também aparece na lista.

Documentário Free Energy, the Race to Zero Point
(Energia Livre, a Corrida para [a Energia d’]o Ponto Zero)
legendas em Português do Brasil (aqui) – formato MP4 – 297 MB

Eu espero que vocês tenham entendido o argumento. Até certo ponto, o capitalismo precisa da tecnologia, e então ele a deixa florescer. Alguns parasitas, seja por sorte, seja por esperteza, ou ambos, se deparam com um recurso escasso (energia, no caso – seja a elétrica ou vinda do petróleo) e procuram controlar este recurso em si (no caso do petróleo), ou o acesso a ele (no caso da energia elétrica por cabos). E fazem fortuna sobre este controle.

Quando uma nova tecnologia ameaça este controle, seja tornando o recurso abundante (energia livre), ou tornando seu acesso fácil (sem cabos), ou ainda nos livrando totalmente dele (carro elétrico não precisa de petróleo), é uma “rasteira” em quem tem o controle. A fonte do lucro fácil acaba. E aí que começam as campanhas de difamação, os incêndios em laboratórios, os “desaparecimentos” estranhos, os assassinatos.

Vejam: nem sempre o progresso tecnológico é lucrativo. Às vezes, as fortunas vêm da estagnação tecnológica.

Saúde e a indústria farmacêutica

E o mesmo raciocínio se aplica à nossa saúde. Curar doenças não é lucrativo. É claro que o capitalista típico vai dizer (leia imitando voz de idiota): “se uma empresa vender um medicamento ruim, ela vai ter prejuízo”. O problema é que os donos de empresas farmacêuticas são bem mais inteligentes que você, meu amigo capitalista. Elas sempre souberam como obter muito, mas muito lucro, antes do primeiro prejuízo vir. As multas vindas de processos judiciais, perdas de vendas em um ou outro medicamento, serão apenas uma pequena despesa na contabilidade. Um novo medicamento, uma nova patente e uma nova campanha de marketing, e tudo está resolvido.

É claro que não é pra toda doença que o raciocínio se aplica. Eu estou falando aqui de doenças crônicas, ou que se supõem serem crônicas. Aquelas para as quais existe tratamento, mas não uma cura; ou que exigem um longo tratamento antes de um resultado positivo. Câncer e depressão, por exemplo.

O grande conflito entre capitalismo e avanço tecnológico pode ser notado quando um cientista mais interessado em contribuir com a Humanidade do que em ficar bilionário, descobre uma cura ou tratamento para a doença em questão. O cenário se torna muito semelhante ao dos recursos energéticos. Agora as pessoas que gastavam dezenas de milhares de dólares com medicamentos e tratamentos convencionais durante anos, podem se livrar daquele mal de uma forma relativamente simples e barata, em pouco tempo, para sempre. Obviamente, a indústria farmacêutica e aqueles que tão por trás dela irão fazer de tudo para que esta cura não seja adotada em larga escala.

Um exemplo? O que você diria se soubesse que a cura para o câncer foi descoberta? Sim, ela foi. Só eu achei três, duas delas já com quase 100 anos:

1) Dr. Royal Raymond Rife e seu mecanismo de ressonância coordenada, desenvolvido nos anos 30 (isso mesmo, década de 1930!) podia destruir vírus e células cancerígenas. Seu laboratório foi destruído, junto com a documentação. Uma campanha de difamação foi orquestrada e acabou de vez com sua vida profissional. Abaixo, o trecho do documentário “Thrive” sobre o episódio:

2) O médico alemão Dr. Max Gerson, em 1928 (é isso mesmo, não errei a digitação não: 1928) descobriu que o câncer e outros males crônicos podiam ser curados por meio de um tipo de desintoxicação intensa do organismo, com um tratamento desenvolvido por ele cuja base são sucos superconcentrados de frutas e legumes, fabricados de maneira especial. Estes sucos irão repor nutrientes e enzimas vivas nas células, deixando-as extremamente saudáveis como raramente são em nossa vida normal.

Documentário “The Gerson Miracle”
(“O Milagre Gerson“)
legendas (embutidas) em Português – formato MP4 – 584 MB

O Dr. Gerson emigrou para os EUA por causa do nazismo, mas lá não conseguiu reconhecimento para o tratamento (você já deve imaginar porquê), que ainda hoje é ilegal naquele país. Sua filha Charlotte Gerson continuou o trabalho do pai, pelo menos até a data do documentário abaixo (2004). Mas precisou fazê-lo em um hospital no México, para não ser presa por exercício ilegal da Medicina.

3) O médico e bioquímico polonês Dr. Stanislaw Burzinsky começou a desenvolver, nos anos 70, um tratamento que cura o câncer basicamente corrigindo a genética que permite o surgimento do tumor. Alguns casos, dos mais complicados, começaram a ser completamente curados. Dr. Burzinsky sempre precisou de mais recursos para melhorar a tecnologia, incluindo mais estrutura para aumentar a capacidade de testes. Ao invés disso, tudo o que ele conseguiu foi uma sucessão de processos judiciais sem o menor fundamento, e uma tentativa de “seqüestro” da patente do seu medicamento.

E por falar em capitalismo:

Burzinsky, o Filme - a cura para o câncer é o fim do capitalismo
Burzinsky, o Filme – a cura para o câncer é o fim do capitalismo

Documentário “Burzinsky, Cancer Is Serious Business”
(Burzinsky, o Filme – O Câncer É Um Grande Negócio)
legendas (embutidas) em Português – formato MP4 – 405 MB

Alguém poderia dizer: “ah mas o problema aí não é o capitalismo e sim as pessoas por trás da indústria farmacêutica”.

Eu respondo: se o problema não fosse o capitalismo, a melhor cura seria também a mais lucrativa; e a ganância não seria problema, já que, buscando pelo maior lucro, o ganancioso tentaria alcançar a melhor cura. Mas,… pelo jeito não é o que acontece.

E ainda não acabou. Eu não falei da obsolescência programada, do marketing e da escassez forçada. Mas fica para a parte IVc.

Até lá,

“um ser pensante”

2 comments
evertongomede
evertongomede

A frase “a fortuna está nos gargalos” resume bem a ideia. Texto claro e objetivo sobre a forma atual de controle dos recursos naturais.

UmSerPensante
UmSerPensante moderator

@evertongomede

pois é meu amigo, de vez em quando me surgem esses "insights" na cabeça :)

Obrigado pelo comentário, aparece no Skype ou Face :)

abração!